Mão & Caneta

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Árvore morta

ÁRVORE MORTA

Procura o céu,
Árvore morta,
Sem folhas, sem frutos,
Sem flores expostas.

Em versos mudos,
Em letras tortas,
Abre-se o livro
Árvore morta.

Ao sol, exposta,
Já não faz sombra.
À noite, assombra,
Figura mórbida.

Árvore morta
Que ressuscita
A cada página,
Quando é lida,
A cada folha,
Quando alguém olha.




O POEMA QUE EU DEIXEI DE ESCREVER

O poema que eu deixei de escrever,
Falaria de você,
De nosso tempo,
De angústia, de tormento,
De alegria e de prazer.
Iria contradizer
Cada palavra
Que as nossas falas
Tinham pouco a dizer.

O poema que eu deixei de escrever,
Seria na verdade,
Uma ameaça.
Calaria minha boca,
Qual mordaça.
Não seria uma desgraça,
Por não ser.
Os meus versos,
Talvez fossem sem querer,
Uma ofensa
A sua crença,
Que eu acreditava
Ter.

O poema que eu deixei de escrever,
Não seria
De valia.
Sem valia,
O deixei de escrever.




VERDADEIRA INTIMIDADE

Eu não suporto
O cinismo humano
Na sua filantropia,
Na sua caridade,
Na falsidade
De um ingênuo plano
De plena liberdade.
Nessa necessidade de querer ser visto,
De ser benquisto
Enquanto pratica maldade
Com o seu próximo,
Que quanto mais próximo,
Mais coloca em risco,
Sua verdadeira
Intimidade.




ACHO QUE AMO VOCÊ

Antes que a noite se acabe,
Eu tenho que lhe dizer:
Se estou longe, saudade.
Se estou perto, prazer.
Acho que amo você,
De verdade,
Acho que amo você.
Antes que a notícia se espalhe,
De antemão, vou fazer,
Que seja por bem querer
Ou por mera vaidade,
Uma homenagem a você.




MALDITA FIGURA

Nada alivia meus temores
Ante as dores
Dos amores que eu teria.
Nem a puberdade me alicia,
Com a ousadia
Do momento.
Na reflexão, não há alento.
O arrependimento não perdoa.
Fico aqui, à toa,
Solitária folha
Dispersada ao vento.
Sob o meu silêncio,
Minha alma oculta,
Se maldiz:
- Por covardia ou culpa,
Maldita figura,
Serás infeliz.




PERVERTIDO

Morro
A cada instante de orgasmo.
Abro
Meus braços tal um sacrifício.
Entrego-me ao vício
De um deus pagão
E ao coração,
Eu faço prece.
O amor aquece
Minha carne
Enquanto em fogo, arde
A minha alma
Condenada ao inferno
Do meu sexo
Pervertido.





MISERÁVEIS

Miséria! Miséria! Miséria!
Exclama uma voz vinda do povo
Enquanto carrega no bolso
Um santo que não pondera.

Miséria! Miséria! Miséria!
Escuta-se a voz de novo.
Um velho que menospreza
A vaidade de um moço.

Miséria! Miséria! Miséria!
É a fome, uma cadela
Que ladra enquanto enterra
Os ossos de um outro morto.

Miséria! Grita o defunto.
É muito. Responde um louco.
É pouco. Morre o assunto.
Mas na miséria,
Vive o povo.




ENTRA E SAI

Os que estão fora,
Querem entrar, agora.
Os que estão dentro,
Saem a todo tempo.

Fecho meu apartamento.
Cessa esse movimento.
Todos foram embora.
Estou só agora.

Alguns ainda falam
Às minhas costas.
Outros, em silêncio,
Ficam sem respostas.

Eles atiraram
Na minha porta.
Todavia, não importa,
Não me acertaram.




PADECER

Sombras reservadas
Ao silêncio de quem chora.
O amor não escolhe hora
Nem lugar.
Não troco meu pesar
Por tua glória.
Nem mudo minha história
Por penar.



VILÃO

Sou eu que vou dizer
Quem é que vai perder
A guerra.
Pois forneci as armas
E enviei as almas
Que cairão por terra.
Não questionem minhas ordens,
Sou o mais forte.
Não interessa o mais valente,
Mas sim, o mais potente.
O mundo em minhas mãos,
Não vê que sou vilão
Disfarçado de inocente.
Fazendo-se de são,
Não passo de um demente.




VOTE NÃO

Procuro as palavras certas,
Entre canecas
Da velha aguardente,
Para dizer a essa gente,
Que política é coisa séria.
Eu entendo da matéria,
Das ações maquiavélicas
Que o povo vem sofrendo.
Ao eleitor que vem fazendo
Pilhéria
Com sua miséria
Ao político elegendo,
Vou chamar a atenção:
Quando chegar a eleição,
Caso não tenha opção,
Vote não.
É o que pretendo.




MALDOSOS

Sinto minha sombra cativa
Ao sol ameaçado pela noite.
Tenho a pele ferida,
Contorcida pelo açoite.
Doem meus ossos.
Numa terra prometida,
Num deserto sem saída,
Então, choro
Por saber que foi mentira
De velhos teimosos.
Calcinado pelo tempo,
Relegado ao esquecimento
De quem gosto.
Acredito em palavras
Que dizem ter a alma
Que sentir remorsos.
Tristes moços
De cabeças decepadas
Pelas tradições lendárias
De seus ancestrais
Maldosos.



POEMA GIRANTE

Perdi o arrimo da família.
Tenho uma filha
Que é comprometida
Com um cafetão
...Filho de uma prostituta;
Hoje, dama culta
E de tradição
Por casar-se com o patrão
(Um filho da puta)
Quando dançarina
No clube da esquina.
Larga o noivo, um pateta
Que por essa época,
Brigara com o pai.
E deixado para trás
Por toda a família,
Casa-se com uma vadia
Que o deixa na mão,
Com a filha que um dia
Estaria comprometida
Com um cafetão...




DENTRO DE VOCÊ

Dentro de você
É diferente,
É mais ardente,
Tem um quê
De inocente,
Embora seja indecente
Ao se ver.
Dentro de você
É permanente,
É para sempre
Um instante de prazer.



DE GESTO INDECISO

O que faço ainda vivo,
Se a vida não tem mais sentido
Para mim?
Não me reconheço
Ao fitar o espelho.
Não lembro o começo.
Porém, vejo
O meu fim.
Com quem eu pareço?
Talvez, comigo mesmo
Ou com esse estranho
Que está me olhando
De dentro de mim.
Qual seria o nome
Desse triste infame
Que me olha assim?
Parece perdido,
De gesto indeciso,
Um louco varrido
Que diz não e sim.




EM EVIDÊNCIA

- Pois não senhor,
Em que posso ajudá-lo?
- Eu não via de fato
O que me acontecia.
Minha alma vazia,
Também não percebia
Que o jovem morria
E com ele o espelho.
Dessa vez, tive medo
Ao ouvir tais palavras.
Mas a moça falava
Por questão de respeito.
Com o ânimo desfeito,
Reconheço não ser
Para a idade, você
Que era o jovem de outrora.
Sendo senhor agora,
Não consigo me ver.



TRISTE REALIDADE

Ontem,
Nós brigávamos
E só.
Hoje,
Nos matamos.
Que dó,
Esta é a triste realidade.




PEÇO

Por todo o tempo do mundo,
Ao mundo todo, confesso:
Saudade é tudo que tenho,
Amor é tudo que peço.
Peço através de uma carta
Que me fala
De regresso,
Do mais recôndito verso
Na estrofe de um poema,
De uma fórmula ou teorema
Na imensidão do universo.
Peço,
Simplesmente peço.



OS IDEAIS

A minha arma
Contra esses generais,
É nada mais,
Que uma caneta esferográfica.
Enquanto eles atiram com seus canhões,
Eu registro suas ações
E as publico nos jornais.
Pobres mortais
Que vivem de ilusões,
Torturando nos porões,
Os ideais.




NATURAL

Vem da cidade, o tal,
E quer saber mais que eu.
Mas, foi a mãe que me deu
A cura pra todo o mal.

Eu uso casca de pau,
Raiz e folha. Porém,
Semente e fruto também,
Com valor medicinal.

Não tenho artigo em jornal.
Não represento ninguém.
Pra mim, está tudo bem,
Se dizem, ser ilegal.

O que faço é natural.
Se incomodo a alguém,
É por saber que ainda tem
Gente que honra a moral.




ADVERSO

Seja simples como um tosco abrigo;
Grande como o universo;
Humilde tal qual um mendigo;
Soberbo como um deus perverso.
Caiba num doce sorriso
Que se esvai com o progresso.
Faça qualquer sacrifício
Para se tornar difícil
Tudo aquilo
Que está perto.



QUEIXAS

Então, me deixa
Amor, por isso.
As dores são de enorme queixa.
As queixas,
De enorme risco.




PENSAMENTOS MÓRBIDOS

Sob as pálpebras vazias,
Minha alma
Me alicia
Com pensamentos mórbidos.
E por fim, ela se acalma
Quando a morte me abraça
E me arrasta
Entre os sórdidos.




VIDA E MORTE

Não sei se a dor que me comove
É a mesma que me fere.
Aquela, que eu supere.
A essa, que eu suporte.
A dor que aflora à pele.
A dor que vem do corte.
Fogo e neve.
Vida e morte.



MATA BRANCA

A alma da caatinga
Surge em solo ainda
Úmido.
E nesse fim de mundo,
O verde toma conta,
A vida em cada flor, desponta.
A mata branca
Eclode em colorido.
E com a chuva,
Ao solo é devolvido
A força e o vigor.
Eis o sertão com todo esplendor
Que pela seca estava adormecido.




CANSADO

Estou cansado de viver sorrindo,
Enquanto meu vizinho
Está com medo e fome.
Não sei o seu nome,
Nem o seu caminho.
Andando sozinhos,
Nos desencontramos.
Estou cansado
De viver calado,
Quando ao meu lado,
Uma criança chora;
De dar as costas,
E ir embora
Sem olhar para trás.
Não quero mais
Viver de aparência,
Enquanto a minha consciência
Não me deixar em paz.



TERMINAL

Essas pessoas seguem
Seus destinos,
Ruas, aléias, becos
Das cidades,
Pela necessidade
De um caminho.
Não cabe mais em si,
A liberdade.
Enquanto uma, embarca pra partir,
Outra chega aqui,
Felicidades.
Entre sorriso e choro,
O mundo que escolho
É saudade.
Um homem concentrado, lê jornal
Enquanto outro passa;
Um casal que carinhosamente se abraça,
Sente-se em casa.
A vida aqui não passa,
Dá sempre algum sinal
No velho terminal.




MEUS AIS

Entre carne e osso
Me sucumbo.
Minha alma em fumo,
Se esvai.
O que me abstrai,
Não é meu vício,
É o sacrifício
De meus ais.




EM QUEDA

Vejo
Pela janela, o medo
De ser louco
E me atirar ao outro
Que embaixo me observa.
Sou eu que se reserva
Ao silêncio
Ou ele que me grita
Com a garganta aflita?
O choro se abafa,
O vento me abraça,
Diante da desgraça,
No chão, meu olho hesita.



FIGURA TRISTE

Uma lembrança
Tarda
Numa carta.
Desaponta
Na ponta
De um grafite.
Diz que não existe,
Que é um faz de conta,
Um ser que se aponta
Como figura triste.




SOL DA MANHÃ

Sol da manhã,
Que pelo vidro me incomoda.
Não vai embora
Pra me deixar na solidão.
Dá-me a mão,
E sutilmente me acomoda.
Depois me acorda
Com o calor desse verão.




JÓIA RARA

Não me deixe ver teus olhos
Ainda em lágrimas,
Tua mágoa
Só revela meu ciúme.
Meu sorriso de costume,
Se desgasta.
Minha graça,
Evola-se em teu perfume.
Não mereço
Tanto apreço,
Jóia rara.
Minha cara
Não disfarça o meu medo
De que tenhas um segredo
Que te cala.
A vontade de abraçá-la
Me arrasta
Ao inferno, ao desespero.
Tua boca já não pede os meus beijos.
Tua mão, em um sinal,
Diz-me que basta.




ESPÍRITO E ALMA

A saudade de casa
Deixa-me aflito.
O meu grito,
Eu emito em palavras.
Mesmo assim, não me basta.
Eu diviso
Meu abrigo
De porta escancarada.
Na soleira, mãe e filho,
Feito espírito
E alma.




TRISTE CONDENADO

Árvore torta
Sobre a lápide vazia.
Alguém devia
Estar na cova,
Sepultado.
Fora enforcado
Pela mão da hipocrisia.
Pela mão da anistia,
Exumado.
Galho quebrado
Para esconder no tempo,
O enorme sofrimento
De um triste condenado.




CAXIAS

Eu gostaria de ir pra Caxias
E me tornar teu namorado.
E de mãos dadas com tua alegria,
Correr nas ruas ao teu lado.
Gritar teu nome com brandura,
Por cometer essa loucura:
De deixar tudo, por teus braços.
Cingir teu corpo na cintura.
Ter a mais doce criatura
Entre sorrisos e abraços.




A PROCURA DE AMOR

Eu poderia
Sair pelo mundo afora,
A procura de amor.
Porém, não precisaria.
Pelos bares e esquinas
Aonde for,
Terá novas companhias.
Alegrias e tristezas,
Estarão postas à mesa,
Seja noite, seja dia.
O amor, às vezes, afirma
O que a razão sempre negou.
Quem jamais o procurou,
Vai encontrá-lo algum dia.
Quem ainda sente amor,
O preserve, dê valor
E o mantenha em harmonia.



NOSSA ESCOLHA

Se eu pudesse beijar a sua boca,
Eu ficaria satisfeito
E guardaria para sempre no meu peito,
A sua pessoa.
Quando enfim, você partisse,
Não ficaria eu tão triste.
Pois sentiria novamente
O beijo doce e ardente
Que lembraria eternamente,
A nossa escolha.



SOM DAS HORAS

Não morra agora.
Não se despeça.
Não tenha pressa
De ir embora.
Quem fica, chora
Ao som das horas
Na eterna espera.



PELA ETERNIDADE

Eu gostaria de te levar comigo
Na lembrança de um gesto bonito
De amizade.
E ao sentir-me um dia, aflito,
Eu me lembraria de um ombro amigo
De verdade.
Tenho certeza que haverá saudades
De ambas as partes.
Na qualidade de melhor amigo,
Eu gostaria de te levar comigo
E me encher de coragem
Para te pedir em casamento
E aos teus pés fazer um juramento:
De te amar pela eternidade.




4º ANDAR

No quarto andar
De um antigo hospital
Que está em reforma,
Pela janela, vejo que lá fora,
O mundo é irreal.
Enormes torres de concreto e vidro
São edifícios
De uma capital.
Ruas desertas.
Quanta gente se encerra
Desconhecendo o próprio mal.
Vejo urubus, no edifício à frente,
Como descrentes
Que esperam o final.
É meio-dia aproximadamente,
Quando o vento quente
Espalha o jornal
Que estava indiferente,
E me revela que há gente inocente
Que é assassinada de forma brutal.
Volto a olhar pela janela aberta.
Vejo telhados de casas dispersas
E fico triste com uma indagação
Que me diz quem somos:
O que nos leva a ter tanta pressa
E deixar para trás, muito mais
Que meros mortais?
Sermos seres humanos.



A MULHER DA MINHA VIDA

A mulher da minha vida,
Sempre é lida em meus versos,
De uma forma ou de outra.
É a sua voz que ecoa
Reclamando meu regresso.
É bem mais que uma amante,
Que uma amiga e companheira.
Necessária como a fonte
No deserto de areia.
A mulher da minha vida,
Entre linhas abstratas,
Põe em mim, doces palavras
E expressão de alegria.
A resumo em poesia,
Tal qual em cartas,
A saudade que nos mata
Se envia.
A mulher da minha vida
É a graça
Que um devoto em desgraça,
Alcançaria.




DOM JUAN

Todas as mulheres são princesas.
Toda ela almeja
O seu príncipe encantado.
Cada uma tem o seu legado
Que é o toque mágico da beleza.
Com a sedução e a gentileza,
Tenho o poder de conquistá-las
E a humildade para amá-las,
Sem que de si mesmas, tenham queixas;
Numa plenitude que as deixa
Satisfeitas e realizadas.
Mesmo assim, tenho a vida amarga
Pelo gosto que a saudade deixa.
Em meus olhos, dorme a tristeza
De um amante que trai a sua amada.




AUSÊNCIA

Quero que o tempo pare
Enquanto me resta consciência.
Perco minha paciência.
Fico triste e preocupado
Por saber que meu retrato
Não será por mim lembrado,
Que me perderei na ausência.
Posso não me ver.
Enfim,
Até mesmo esquecer-se de mim.
Todavia, não deixarei de ser
O que sou,
Até o fim.




CABO-DE-GUERRA

Não tenha pressa,
Mesmo que não tenha tempo.
Não me interessa
Se o mundo está correndo,
Eu ando devagar,
Vendo o tempo passar
À minha frente.
Pouco me importa,
Eu estou indiferente
Ao entra-e-sai da porta,
Ao leva-e-traz da corda
Que arrasta esta gente
Em um cabo-de-guerra
No qual ninguém se presa,
Desde que esteja à frente.




A DEUSA

O que pode fazer um ser descrente
Que vê à sua frente
Uma deusa
E que ardentemente
A deseja,
Senão admirá-la em silêncio
E contemplá-la em cada movimento,
Sabendo que jamais vai merecê-la?
Que ao fechar os olhos pode vê-la
E também descrevê-la fielmente:
Nos lábios, um batom de cor ardente;
Pintadas a nanquim,
Suas lindas sobrancelhas;
O seu cabelo,
Em onda serpenteia;
Os dentes têm o brilho do marfim;
Seus olhos dizem sim,
Enquanto a expressão do rosto é séria;
O corpo nem parece de matéria,
É pura energia e perfeição;
Os seios são a mais bela visão
Que alguém tem por sobre a terra;
A maciez da pele se supera
E exala o perfume da paixão;
As nádegas têm a exata proporção
Que todo ser mortal tanto venera;
As costas, a cintura e as pernas,
Não há como lhes dá definição.
Para sempre,
Vai viver de incerteza,
Esse ser descrente,
Que viu à sua frente,
Uma deusa.




ENGODO

Deus não me interessa nenhum pouco,
Não me traz conforto
E sim, raiva
Por ver tanta gente no sufoco,
Suplicando graças.
Cada um esquece que há o outro
E por Deus se mata.
Só querem saber de um deus morto
Que jamais lhes fala.
Quando irão parar com essa farsa,
Ver que Deus não passa
De um engodo?




PROBLEMAS

Estou pensando que o mundo
Está passando por problemas.
Talvez, por isso esteja sem rumo
E quase mais ninguém se entenda.
Mas não se ofenda,
O mundo apenas
Está passando por problemas.



AUTO-AJUDA

Só há uma única forma
De ajudar a si mesmo:
Aceitar a imagem que olha
De dentro do espelho.
Jamais desistir dos sonhos
É um conselho.
No entanto, pra ter felicidade,
Nunca esqueça a realidade;
É um apelo.












Opções e escolhas





Sempre há alguém em nossa vida,
Para termos que regressar
E continuarmos a trilha
Onde se encontram armadilhas
Que teremos de enfrentar.
Há opções e escolhas;
Há muita coisa a fazer.
Não temos que estar à toa,
Para podermos perceber.
Não é preciso saber
Qual motivo ou razão,
Qual a explicação, o porquê.
Tudo exige uma ação,
Seja errado ou correto,
Seja bom, seja ruim.
Tudo que tem um começo,
Com certeza,
Tem um fim.



O sábio





Com um universo
Limitado à nossa compreensão,
Um mundo
Limitado ao nosso conhecimento
E os sonhos
Limitados à nossa realidade,
A humanidade
Seria completamente feliz.
Eis o que um tolo diz
Se for sábio de verdade.











A testemunha do 4º andar





Movia-se à noite, a sorrateira figura.
A sua conduta
Deixou-me suspeitas.
A noite inteira,
Esteve oculta.
(Acho que não sente culpa
E nem tem pesar).
Ao golpear a sua presa,
Olhou para a mesma
A rastejar.
Ao ver jorrar o sangue quente
(Talvez, por ser doente),
A quis beijar.
Então, começa a violentar
O corpo imóvel.
A passagem de um automóvel,
A faz parar.
Afasta-se devagar
Para se esconder,
Sem ao menos perceber
Que havia uma testemunha no quarto andar.
ET





Quero ir para casa.
Minha voz se perde em meu suplício.
Estou ferido.
Sou mantido como uma cobaia.
Eu desconheço
Esse novo endereço.
Estou com medo
Deste ser que me maltrata.
Não consigo entender
O que essa espécie tem,
O que ganha se eu morrer,
O que perde se estou bem.
Ela quer ir muito além
Do que pode compreender.
Pois ainda crê que alguém,
Somente ao dizer amém,
Tudo possa acontecer.




Recado





Tenho as palavras sobrepostas
A falar de um mundo que não gosta
Do que é.
Minha preferência
É pela ausência;
Só assim, eu me distraio.
Anote um recado
De quem pensa:
Um tubo de ensaio
Não controla a experiência.
Ao fazer ciência,
O mundo é falho.









Exemplar de anatomia





Sou apenas um exemplar de anatomia
Que avalia os próprios sentimentos.
Tenho pele, órgãos e vísceras.
Permaneço em silêncio.
Membros, tronco e cabeça,
Não me deixam que esqueça
Que eu tinha movimentos.
Com meus olhos, eu vou vendo
As nuances, sutilezas
Que o vidro me revela.
As orelhas, o nariz e a boca aberta,
Procuram a tudo captar.
Minhas mãos tentam alcançar
As minhas pernas.
Na parte externa,
Todos estão a me estudar.





O garoto





Conto essa história,
Cativo a pedaços do passado.
Uma personagem que na realidade,
Não passa de um garoto amedrontado,
Arrastado e preso no porão.
Ele acreditou ter encontrado
Um caminho não tão encantado,
Que o levasse aos confins do mar.
Mais de uma vez, pensou chorar.
Porém, se encontrava tão sozinho,
Que aprendeu uma forma de sorrir,
Sem que mais ninguém pudesse ouvir.
Fez do seu martírio, uma canção
Que levou a minha embarcação
A perder a rota e encalhar.
A tripulação toda, a cantar,
Pôs na prancha o próprio capitão.
Um motim que tinha a intenção
De por o garoto a comandar.
A inocência brinca com o timão
E põe a embarcação a naufragar.
Entre a salvação e o castigo





Vivo,
Não pelo determinismo de meus passos,
Nem pelos meus rogos e suplícios
E sim, pelo acaso,
Entre a salvação e o castigo.
Em uma roleta viciada,
Probabilidades afetadas
Por tantas escolhas sem sentido.
Vivo
Pela mão das possibilidades,
Ouvindo mentiras e verdades.
Ontem, acreditei ter me encontrado.
Hoje, com certeza, estou perdido.








O estranho





Cuida de mim
Para que eu possa viver.
Não quero ser
Esse estranho que há em mim.
Será meu fim,
Se um dia lhe perder.
Eu sem você,
Na certa irei morrer;
E sem ninguém saber,
Não serei eu,
Mas sim,
O estranho que há em mim.









Oponentes





Qual de nós dois
Procura um oponente,
Que luta ardentemente
Para não ser feliz,
Que grita e pede bis
Indiferente,
A dor que o outro sente,
A voz que amargamente,
Se maldiz?
Qual de nós dois
Não quis
Seguir em frente?
Talvez nós dois,
Sejamos oponentes
Na matriz.






Senhor da ilusão





Que valor tem a minha expressão,
Se ela não condiz
Meu gosto,
Se meu rosto
É mera imperfeição?
O que sou,
A não ser opinião
De quem toma decisão
A contragosto?
Quem é esse
Que tem a imaginação
Na visão de seu esforço?
Talvez, seja o senhor da ilusão,
À realidade, exposto.







Tolo





Ria com tuas desgraças.
Chore com as tuas graças.
Se não fores feliz,
Serás ao menos, louco.
Satisfaça-se com pouco.
Muito é tudo que lhe basta.
Seja aquele que se afasta
Na aproximação do outro.
Sendo sempre desconforto,
Não te cobrariam nada.
Sendo falha,
Só te chamarão de tolo.















Eu não me atreveria,
Dentro de uma poesia,
Falar sobre você.
Tanta coisa há pra dizer,
Que nela não caberia.
Sei que jamais poderia,
O teu nome revelar;
Por ser ele, popular.
Talvez seja por temor,
Que eu guarde esse amor
Qual segredo de divã.
Você olha e vê um fã,
Eu a vejo me olhar.








Calvário





Conquistei mais um pedaço
Desse chão maldito,
Onde nunca fui benquisto
E serei enterrado.

Sob o imbuzeiro desfolhado,
Manteve seu riso.
O seu sangue foi vencido
E o sertão manchado.
O seu nome foi lembrado.
Os seus atos
Esquecidos.
O imbuzeiro envelhecido,
Marca seu calvário.







Sem sair de casa





Eu iria ao fim da rua.
Mas não há um fim na rua.
Pois há outra rua,
Que vai dar em outra rua.
E por infinitas ruas,
Sairia em uma estrada
Que iria a outra estrada.
E após muitas estradas,
Chegaria ao mar.
Atravessaria o mar.
E ao chegar à outra terra,
Haveria uma estrada
Que iria a outra estrada.
E depois de tanta estrada,
Entraria numa rua
Que sairia noutra rua.
E após diversas ruas,
Estaria em meio ao mundo,
Bem longe de casa.


Medo de errar





Entre o que digo e o que escrevo,
Sempre o desejo
De não estar certo.
A cada linha, um regresso.
Pra cada verso,
Um ensejo.
Ainda evito o espelho,
Para não ter que enfrentar,
Não a mim mesmo,
Mas ao meu medo
De errar.










Cobertor de vidro





Sou uma ilha.
Carne viva e osso.
Profundo fosso
Que a garganta abarca.
Uma morada
Que já não se habita.
Uma comida
Que ao relento, estraga.
Sou a luz fraca
Que ainda reluz colorido.
Num estampido,
O cobertor de vidro
Que se espedaça.








Fora o nascimento





A multidão persegue meu silêncio,
Não importa o tempo,
Nem o meu penar.
Quer apenas provocar
Meu sentimento,
De que, fora o nascimento,
O mundo
Não é o meu lugar.













Piedade





Não são as ilusões
Que causam as dores
E nem tão pouco, a realidade.
É a nossa necessidade
De sofrer
Que nos deixa perceber
Que nunca é tarde.
Nunca é tarde
Pra sentir
De si,
Piedade.










Sem rumo





Não havia
Uma via
Que me levasse ao mundo.
Em resumo,
Sem estrada,
Ao mundo não alcançaria.
Não seria
Eu,
O único.
E sem rumo,
Eu seguiria.










Minha desgraça





O que quer que eu faça
Não importa.
Não importa,
O que quer que eu faça.
Não há traça
Que corte a mesma corda
Que aos poucos,
Me enforca,
Que aos outros,
O nó desata.
Que me tranquem em casa
E que joguem a chave fora.
Não possuo tempo ou hora,
Não exponho minhas asas.
Jamais voarei ao céu,
Não por merecer a graça,
Mas por ser o meu corcel
Minha desgraça.



Vil conduta





O que faz com o verbo amar
Quando o conjuga?
Faz a mais pretensa jura
A quem quer acreditar.
Nunca assumirá a culpa;
Pois me oculta,
Que ante a sua vil conduta,
Tentará me incriminar.













Perdão





O que faço
Enveredando-me nesse caminho sem volta,
Onde a única resposta
É a prisão?
Um caminho de ilusão
Que me isola
Do calor que ainda sobra
Á multidão.
Faço com as próprias mãos;
Isso ainda me consola.
Ninguém faz a minha hora
E eu não dou a mim,
Perdão.








Dúbio prazer





A gente vive
Cada parco e vão momento
Ante esse fingimento
Que é viver.
Talvez, quem sabe,
Seja apenas um porquê,
Um sinal de brevidade,
Onde uma débil vontade
Passa a um dúbio prazer.












Quem dá mais?





Deus não me daria paz.
Ele não existe mais,
Foi personagem de antanho
Entre os meus ancestrais.
Se ele quer-me ver pregando,
Que venha de vez em quando,
Justificar os meus ais.
Deus agora,
É quem dá mais,
É só engano,
E por isso desengano,
Um preço alto demais
Que o mundo está pagando.








Um lugar no céu





Presta mais atenção aonde pisa.
A mancha em minha camisa,
É de teus pés.
Por sermos infiéis,
Não justifica
A humilhação pungida,
A expiação cruel.
Da boca de um mortal
Que abdica
De um lugar no céu.











Despercebida





Vida,
Você não passa por mim, despercebida.
Então, me dita
Os passos,
Os percalços
Que pelo acaso,
Em mim, dissipa.
Eu nada faço,
Submetido ao laço
Que me limita.
Vida,
Você não passa por mim, despercebida.





Que não valha a pena





Se eu ficar,
Amor,
Me compreenda.
Que não é por favor,
Nem por ofensa.

Se eu não disfarçar,
Amor,
Talvez, entenda
Que esse amor
Não passa de um problema.

Se for loucura,
Amor,
Então perdoa.
Quem sabe, à toa,
Chegue a ser ternura?
E se ternura,
Que não valha a pena.


Miragens distorcidas





Eu não sonho,
Nem me disponho
À realidade.
Eu estou na fase
Em que não tenho vontade.
Não tenho ímpetos de alegria
E nem derrames de tristeza.
Mal sento a mesa
Pra saciar a barriga.
Talvez, minhas necessidades
Sejam miragens
Distorcidas.





Percalço e silêncio





Há de engrenarem em mim,
Percalço e silêncio.
Em atribulações,
Me calo.
Às ilusões,
Me atenho.
Sou revestido de embaraço,
Enquanto calço
O que ainda tenho.
Percalço,
Quem dera, enfim, descalço
De meu silêncio.




Enigmática





Porta escancarada
Para a rua.
Sai uma figura
Enigmática.
Elevada sombra,
Se deflagra nua
Sob a palidez da lua
Extasiada.
Linda!
Quem sabe, ainda
É amada?




Cansado da fé





Já cansei de ser
Quem se castiga,
Que não acredita
Em piedade.
Esse que enxerga a alegria
Como apologia
E maldade.
Já não quero dá eternidade
A arrogância e a covardia.
Prefiro pagar à teimosia,
Com o preço da mortalidade.






Ventos de além mar





Mudaram o meu português.
Agora, eu falo assim,
Com um sotaque. Talvez,
Muito arrastado pra mim.
Mas, o que importa, enfim,
É que a mãe de vocês,
Ainda é o latim.
Fiquei de pé, sem acento.
Não trema, a trema
Também
Perdeu-se no pensamento,
Como se perde alguém.
Agora, ando às cegas,
Tentando me esquecer
De tantas e tantas regras,
Que tive que aprender.
Mudaram o meu português.
Porém, não mudaram vocês
Que nunca irão compreender.


Adeus ao presente





Tento
Redimensionar meu tempo
Para agora;
Todavia, meu passado me acompanha
A toda hora.

Busco o presente,
Como alguém que ardentemente,
Se apaixona.
Porém, na cama,
Continua em si, ausente;
Sem saber a quem namora,
Sem lembrar aonde mora,
Sem saber o que ainda sente.







Brincadeira de criança





Observo a calma
Com que a água
Escorre na vala
Ao sair da calha,
Ao bater na quilha
Do barco a vela
Que deixei n’aquela
Brincadeira de criança.




Ele ou ela?





E quem será que vem?
Será que é ela?
Será Maria Vitória,
A cinderela?
Hoje, ainda não é feto,
É apenas vida e verso,
Mancha na tela,
Início de um cordão
Em uma união que se completa.

Diante da emoção,
Nem mesmo a razão me pondera.

Em meio ao relento,
Pergunto ao vento:
- É ele ou ela?





O labirinto





Pelas ruas infinitas,
Não encontro meu destino.
Endereço repentino;
Então, me pára.
Não é nada;
Sigo em frente, o meu caminho.

A mim mesmo, ainda minto:
- Logo chegarei em casa.

Em calçadas,
Eu percorro o labirinto
(Cruzamentos, sinais verdes e paradas).

O suor não pára o tempo;
Lágrimas, enxuga o vento;
E um triste pensamento
Não se afasta.

A cidade, assim, se fecha em semelhança.
A lembrança,






À realidade, não se adapta.
Eu confundo o momento
E me perco no silêncio
De um triste monumento
Que me agrada.

Minha calma é necessária
Para espantar o medo,
Desvendar todo o segredo
Que o labirinto encerra.
Os meus pés seguem por terra,
Minha alma por promessa,
O meu corpo por saudade.
Edifícios, tais quais pedras,
Alicerçam a cidade;
Conduzindo minha mocidade
Eterna,
De encontro ao passado.
Eu me torno um condenado
Num presente adulterado,
Que me enterra.






Observo as vidraças
Das janelas,
Onde o sol ofusca a vista
Com a luz que é minha guia
Na escuridão tardia
Do passado.

Cada praça
Me congraça,
Tal um templo
Erigido como um marco à memória.
Cada uma conta a história
De seu tempo,
De sorriso e sofrimento,
De conquistas e derrotas.

Novamente, me encontro sem saída,
Apesar de tanta via planejada.
Já não reconheço nada
Do que havia,
Já não reconheço nada.






Alimento meu silêncio,
O tempo passa,
Onde pombos batem asas
Sem voar.
Não consigo encontrar
O meu caminho;
O meu ninho
Não encontro em meu lugar.
Continuo a me enganar,
Ainda minto,
Preso a esse labirinto
A me fechar.









Foco enigmático





Você me apareceu
Como aparece o sol por entre as nuvens,
Sem destino ou plenitude,
Mas apenas, pelo acaso.

Você não foi determinismo
Ou ato,
Mas um fato,
Sem ensaio
Ou intenção.
Iluminou parcialmente,
Meu sombrio coração,
Com seu foco enigmático.





Mão divina





A toda hora,
Me sobra
Fuga
De uma intrusa
Mão divina.
Ainda por cima,
Quando me acusa
De uma culpa
Que virou sina.
Mão obscura!
De sangue, suja.
De amor, limpa.




Desvelo





E cada um que cuide de si mesmo.
Ninguém merece o meu desvelo,
Ninguém está sujeito
Ao meu afago.
E cada um, que siga para um lado;
Que tenham assim, o mesmo desapego,
Enquanto ainda é cedo
E nada está mudado.
A cada filho, indico uma direção
E ponho em sua mão,
Um bom cajado.
A vida é trajetória,
É história,
Passo a passo.





Não depende de escolha





Não quero obrigar a ninguém,
A falar de amor.
Não quero por
Palavra em sua boca.

Seria uma atitude louca,
Exigir o amor de alguém.
O amor é mais um bem
Que também não depende de escolha.

Tal qual a explosão de uma bolha,
Que à toa
Se espalha pelo ar,
O amor tende a se espalhar
Dentro de uma pessoa.

Seria uma atitude louca,
Exigir o amor de alguém.
O amor é mais um bem
Que também não depende de escolha.

Tirocínio





Não há lição
Que não
Exima erro.
Assim, pelejo
Com seu aprendizado.
Não há um só legado,
Se não deixo,
Um ensinamento claro.





Assintomático





Rezar a quem,
Se não existe alguém
Que realize a graça?
Pois esse mal
Que os meus rins, devassa,
Não é descaso
De uma mão divina
E nem é sina
De um deus devasso
Que me contamina.
O mais estranho
É que eu nada sinta,
Que determina
Ser assintomático.
De uma causa vinda
Do passado,
Ao mero acaso,
Instalado, finda.
Eu sei que a vida
Um dia termina.
Não vou ficar com os braços cruzados,






Nem vou prostrar-me a um deus criado
Por uma fantasia.
Eu vou lutar com armas que de fato
Dêem resultado.
É o que a vida ensina.





Analgésico





Minha cabeça acusa
Essa dor que abusa
De minha paciência.
Ciência!
Não há remédio que me traga cura
E não há santo que me leve a sério.
Analgésico,
Ainda espero
Por uma ação, tua.






Contemplar





O que é ver,
Senão deliciar-se com a visão
Na ilusão
De que a beleza é eterna?
O mato verde,
Um dia seca;
A água transparente
Torna-se turva
E a bela e sinuosa curva
Torna-se reta.
Assim, ver
É padecer de comoção
Diante de efêmera versão,
De espera.





Ruminante





Um silencioso ruminante
Em constante mastigar,
Olhando adiante,
Como a observar o nada;
Uma pedante cabra
Em seu habitat.
Não me canso de olhar
A vida escassa
De preocupações e mágoas,
Por não ter o pesar
De pensar.





Mercenário





Um bruxo, um mouro, um louco
Que não acredita em Deus.
Esse sou eu,
Um literato mercenário
Que levará para o calvário,
A convicção de ateu.















Sem sorriso





Abraço a minha vida em dobro.
Tiro prazer do mundo todo,
Sem acreditar que vivo.
Talvez, não seja um bom motivo
Para explicar porque ainda sofro
Ao ver meu rosto
Sem sorriso.

Contudo, sei que necessito
Aliviar meu próprio grito
Num desabafo ao meu desgosto,
Por ver meu rosto
Sem sorriso.



Sepulto





Entre tombos,
Barrancos despencados,
Cai um corpo empurrado
Pelo vento.
Na leveza do próprio pensamento,
É desequilibrado.
Soterrado,
Sente o peso deixado pelo tempo,
Tendo um sepultamento
Sem jamais ser o velado.

Riso amarelo





Riscando um pensamento triste,
Rabisco em meu riso amarelo,
Um sentimento sincero
De solidão que existe.
Silencioso, insiste
Alimentar o meu tédio.

Talvez, não haja remédio
Para apagar cicatrizes
Reavivadas por dor.
Nem mesmo a ação do amor
Pode vir tirar do sério,
Os eternos infelizes.


Jovem idiota





Desconheço esse jovem idiota
Que em vez de estudar
Faz da escola
Um tablado de ringue,
Antes que a si mesmo contamine
Com a fraca memória,
Numa vida de crime.
Não importa o que o mundo lhe ensine,
Não existe proposta
Que a esse jovem idiota,
Um futuro determine.
Jovem idiota,
Não existe resposta
Que a você ilumine.




Mal-estar





Chorar não é o bastante,
Melhor é ser comediante
E sorrir de meu pesar.
Queria estar noutro lugar
Nesse instante,
Hoje em dia, mais que antes;
Posto ontem, não pensar.
Gostaria de andar
Sem um destino,
No mais ermo dos caminhos,
Sem ter hora pra voltar.
E esquecer
Que o presente é evidente
E o passado, simplesmente,
Me provoca mal-estar.

O homem-bomba





O terrorista
Em sua despedida,
Ainda beija a filha
De manhã.
Ele rezou a noite inteira em sua cama.
O homem-bomba
Também ama,
Prova que tem coração.
Quando em ação,
Torna-se uma pessoa estranha,
Com uma frieza tamanha
Que não demonstra emoção.
Fora educado para a ação,
Desde criança.
Na esperança
De seu deus, dar-lhe o perdão,
Perde a vida e a razão.
O homem-bomba
Explode pela salvação.