Mão & Caneta

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Composições sem cifras

NENHUMA OUTRA

A nossa vida
Nem ao menos começou.
Você ainda
Não sabe quem eu sou.
Apesar de tantas coisas pra dizer
De minha vida a você,
Eu silencio em minha dor.
E assim, ficou
Uma só palavra em minha boca.
Que é simplesmente, amor.
Nenhuma outra.
Como é difícil vê-la em plena luz do dia
Que seu sorriso
Como espelho irradia,
Deixando em meu peito,
O mais nítido desejo
De ter a sua companhia.
E assim, ficou
Uma só palavra em minha boca.
Que é simplesmente, amor.
Nenhuma outra.




EM SINAIS

Vejo num lampejo
De loucura e profecia,
Que um asteróide desceria
Sobre uma terra abandonada.
Uma casa antes habitada,
Mas agora, destruída.
Vejo numa morada
Que não via
Há muito tempo atrás.
Vejo em sinais,
Em velhas páginas de jornais
Que eu mesmo lia.
Cenário
O que falta para te fazer feliz?
O que você diz,
Parece não me preocupar.
Tantas vezes vou tentar,
Quantas sejam necessárias.
Neste cenário,
O melhor ator em cena
É o que pensa
Antes mesmo de atuar.
Tento entender
O que vai dizer você
Antes mesmo de falar.
Apaixonado
De que adianta
Está loucamente apaixonado
Por alguém do outro lado
Que jamais perceberia
Uma efêmera alegria
Numa eterna poesia
De um louco condenado
A amar sem ser amado,
A querer o que é negado,
Por calar o que sentia.




EM LÁGRIMAS

Não sou um condutor de águas.
Mas estou em gotas
Nas mesmas lágrimas
Que chorei à toa
Na calçada lá de casa.
Enquanto todos passam
Despercebidos à pequena poça
Que outrora fora
Um menino mimado,
Grito meu nome;
O meu vulto some
Nas réstias do telhado.
Não sucumbi ao fato,
Pois todos me olharam.




CAPELA

São horas e horas
Que eu tenho que andar
Pra chegar ao lugar
Onde você está.
Mas você não está
Mais ali,
Onde a vi parti
Sem podê-la alcançar.
Ainda lembro o olhar
Quando me disse adeus.
Pareciam os meus
Admirando o mar.
Sei, não devo chorar.
Você está à espera,
Na remota capela
Onde iremos casar.




É MÁGICA

Mágica! Mágica!
Há tantas coisas
Que parecem aparecer.
Mas na verdade,
Há muito tempo estavam ali;
Só que ninguém as percebia.
É essa mania
Que nós temos de não ver.
Mágica! Mágica!
Há tantas coisas
Que parecem aparecer.
Mas na verdade,
Há muito tempo estavam ali.
Talvez não seja
Aquilo que você deseja.
Então, feche os olhos
Que a vontade faz sumir.




NAS ASAS DO BEM QUERER

Não tente me convencer
Que eu posso conhecer
Outra pessoa;
Se a vida toda
Eu só procurei você.
Quantas vezes eu terei que te dizer
Que o mundo voa
Nas asas do bem-querer.
Não tente iludir meu coração
Pondo razão sobre emoção.
Não me ajuda.
Não tenho culpa
De amar tua pessoa.
Quantas vezes, eu terei que te dizer
Que o mundo voa
Nas asas do bem-querer.




ENORME SIMPATIA

Não há mais porque chorar.
Nós dois estamos juntos.
Nada vai nos separar;
Muito menos, nossos mundos.
Desencontros, pode haver.
Mas entre eu e você,
Há uma enorme simpatia
Que supera a vilania
Da razão e do poder.



SEMPRE ELEITOS

Quem são esses homens
Que me fazem rir
Por mero deboche e enorme desprezo.
Eles são daqui,
Eu os reconheço.
Eles são os mesmos,
Com os mesmos erros.
Eles não têm medo
De se repetir.
Pois são sempre eleitos,
Não importa o peito
Que venham ferir.




TARA

Sofro por admirar a beleza alheia
Da jovem solteira,
Da mulher casada;
Pela sutileza do rosto,
Pela proporção do corpo
E pelo perfume que exala.
Dá-me ânsia e desejo,
Também medo,
De não tê-la e perdê-la
Antes mesmo de amá-la.
Vejo-a como uma fortaleza
Que resguarda minha tara.




UM ANJO

Tenho a sensação
De que encontrei um anjo;
Por milhões de anos,
A chorar.
Sinto que me ama,
Ao tocar sua pele clara
Onde o sol ofusca meu olhar.
Ele não tem asas.
Mas pode voar
Nos mais belos sonhos,
Onde eu o amo
Num eterno mar.




MEU ÓCIO

Eu não gosto do sabor deste sangue
Que em cálice me servem.
Minha alma prefere
O sabor de meu nome,
Que é minha carne.
O amor não me queima,
Sempre arde
Em um fogo que some,
Que consome meu ódio
Que odeia a fome
Que alimenta meu ócio
Enquanto come.




QUEM SONHA

Essa é a meta
De quem sonha,
Realizar seu pensamento.
Um só momento,
O acompanha
Por todo o tempo,
O sonho,
O dono
De seu lamento.
Essa é a promessa
De um perdedor,
Terei nos braços
Sua vitória
E a glória
Do seu amor.
Mas quem sonha
Nunca perde,
Não inveja outra pele
Pra lhe servir de cobertor;
Pois quem sonha,
Vai pra cama
Por amor.




CINTO NO PESCOÇO

Tenho um chapéu
Que me põe à sombra;
Uma camisa longa,
Que me faz suar;
Tenho uma calça
Que de bar em bar,
Cobre minhas meias
Que se escondem, feias,
Dentro de um par
De velhos sapatos
Que tão apertados
Seguem meu pesar.
Tenho que citar
Meu esnobe e fino,
O elegante cinto
Que usei faminto,
Para me enforcar.




EM SEU LUGAR, SAUDADE

Estou livre pra pensar.
Verdade!
Mas ficou em seu lugar,
Saudade.
Só o tempo nos ensina,
Com ele, a maioridade,
Que na vida não há sina
Se fizermos nossa parte.
Tatuado em meu braço,
Eu conservo o seu nome.
Mas somente em teu abraço,
É que a solidão some.
Estou livre pra pensar.
Verdade!
Mas ficou em seu lugar,
Saudade.




VOCÊ É PAZ

Não posso mais
Voltar atrás
Na minha decisão.
A quero mais,
Sempre mais.
Assim, diz o meu coração.
Não posso mais
Voltar atrás.
Fala mais alto, a razão.
Apesar de te amar demais,
Não posso mais
Voltar atrás.
Não posso mais te ver.
Preciso me esconder
De nós,
Do seu sorriso, Da sua voz,
Do meu silêncio.
Você é mais que alento,
É paz.




NOITES

Enquanto eu souber
Que alguém ao meu lado,
Tem medo de seu companheiro
E que por inteiro,
Sou parte de seu pesadelo,
Duvidarei de nossa sorte.
As noites em claro,
São de morte.
Enquanto eu puder
Mudar esse fato
E dar segurança primeiro,
Sempre serei verdadeiro,
Mesmo não sendo forte.
As noites em claro,
São de morte.
Não quero viver acordado
Enquanto o mundo dorme.
As noites em claro,
São de morte.




BEIJO MOLHADO

Não tente entender
A suprema delícia
Que é um beijo molhado.
Nem a própria chuva
Que cai fina no telhado,
Tem a mesma insistência
E medida.
Nem a louca
Que se encontra iludida,
Tem a mesma malícia
E ternura.
Pois não há maior loucura
Que um beijo molhado
Sob a chuva
Que passa despercebida.




TARDE AMARELA

Se o amor me dá asas,
Vou voar sobre as casas
Para a sua janela.
Voarei como as velas,
Com a graça
Das garças,
Sobre as águas
Mais belas.
Suas mechas
De cabelos doirados,
Qual o sol com seus raios,
Numa tarde amarela.




APROVEITEI A DEIXA

Você está de volta à minha cabeça.
Já não tenho certeza
Do que quer.
Será que você ama
Ou só deseja?
Que só me quer na cama,
Quando beija
Ou quer que a veja
Como a uma mulher?
Ao escutar sua queixa,
Aproveitei a deixa
Para vê-la como é.




NÃO VIVA ALÉM

Nem sempre, olhar
Ao se olhar,
É perceber.
Quem não cuidar
Em se encontrar,
Vai se perder.
Sempre querer
O que não tem;
Tentar viver,
Viver além;
Além do mais,
Não terá paz.
Você jamais
Será ninguém.




TRISTE SINA

Está gravada
Em minha retina,
A triste sina
De um coração,
Por ver ceifada,
Pobre menina,
Que assim termina
Com as próprias mãos.
Não há palavra
Que a defina,
Dor assassina,
Dor da paixão.




POR AMOR

Eu queria tocar a sua mão,
Mas você me evitou.
Por receio,
Por amor
Ou por mera precaução?
Na verdade, a intenção
Era ir muito além,
Era viajar de trem
Até a velha estação
Onde você me entregou
Por amor,
Seu coração.




NÃO VÁ EMBORA

Eu não minto
Quando lhe falo de saudade.
A saudade está em mim
Como um louco num labirinto.
É o que sinto,
É a mais pura verdade.
Não lhe revelo
Meu amor por vaidade,
Mas por coragem;
A de um bravo selvagem,
Que escalpela uma senhora
E depois chora
Por piedade.
Não acredito
Que você me esqueça agora;
Seria o mais grave delito,
Seria o dito por não dito
Contra a inocência de um maldito
Que implora:
Fica comigo,
Meu amor,
Não vá embora.




O QUE DIZ O CORAÇÃO

Você ficou em mim
Numa única relação,
Como as marcas numa cela de prisão.
Absorveu meu medo
De arriscar na emoção,
Os valores cultivados na razão.
Entreguei minhas virtudes
Em atitudes
Que diziam não.
Nada é em vão,
Desde que escute
O que diz o coração.



MELHOR ASSIM

Foi um prazer,
Amar você.
Já não há mais,
O que fazer.
Não há vencido ou vencedor.
No amor,
Não temos nada a perder.
Melhor assim,
Até o fim,
Eu sem você,
Você sem mim.




BEIJO DE VERDADE

Quero um tempo pra falar-te,
Longe de teu baluarte,
Perto de meu quebra mar;
Onde eu possa te olhar
De minha parte,
Fazendo arte,
Te chamando pra nadar.
Vejo se apagar,
O sol, à tarde,
Dando um tom à tua face,
Tão suave,
Que não ouso te tocar.
Porém, antes que eu me afaste,
Uma onda que se bate,
Teima em nos aproximar.
Tua boca não consegue ocultar,
O que a minha tem vontade.
E naquela liberdade,
Conhecemos de verdade,
O que é beijar.



SÓ QUERO VIVER

Mesmo sendo tarde,
Temos tempo ainda.
Que seja eternidade
Enquanto não finda.
E de minha parte,
Quando o amor invade,
É o que determina.
Meu coração se abre
Tal no campo age
A flor matutina.
Não quero entender;
Só quero viver
O que a vida ensina.
Em cada detalhe,
Eu procuro a arte
Da feição feminina.
E qualquer canção
Que fale de paixão,
Tem minha atenção,
Tanto que fascina.
Não quero entender;
Só quero viver
O que a vida ensina.
Não sei a verdade,
Nem também me cabe
Explicar o amor.
Seja o que for,
Eu sou a metade.
A outra, quem sabe,
É você menina.
Não quero entender;
Só quero viver
O que a vida ensina.




O FIM DO MUNDO

Prefiro ver o fim do mundo
Em solidão,
Do que alheio
Em meio
Ao desespero da multidão.
Boquiaberto e coração na mão.
Talvez, acorde
E faça alguns acordes
Em um violão.
Em vez de oração,
Uma triste canção
De despedida.
Em vez de gritaria,
Compleição.
Prefiro ver o fim do mundo
Em solidão,
Do que alheio
Em meio
Ao desespero da multidão.
Talvez, perdesse a razão
(Se é que a tive um dia).
Mas, mesmo assim, eu tocaria
Nas últimas horas vazias,
A mais triste melodia
Na harmonia do diapasão.
Prefiro ver o fim do mundo
Em solidão,
Do que alheio
Em meio
Ao desespero da multidão.
Não necessito de perdão,
Mas de maior conhecimento.
Embora tudo seja em vão,
Toda a ação, todo momento,
Não faço nenhum juramento
E não almejo outro lugar.
Ao ver o mundo se acabar,
Irei, na certa, encontrar
O fim de todo sofrimento.




MOSSORÓ

Eu me encontro em Mossoró,
Onde ainda estou só,
Entre a multidão perdida.
Na garganta, há um nó
De poeira e de pó,
De tristeza engolida.
Em meio à praça, erguida,
Há uma cúpula de vidro.
Fico olhando entretido,
Esquecido dessa vida.
De repente, uma batida
Chama a minha atenção.
É um carro em contramão
(Como é meu dia-a-dia).
Os pombos voam em seguida,
Para um prédio em construção.
Perco então, a direção
Que seguia o pensamento.
Sinto em meio ao movimento,
Uma paz não esperada.
Olho a fonte que jorrava
E continuo em silêncio.
À sombra de uma acácia,
Em um banco, eu me sento.
Como está quente o tempo
Nessa tarde de verão.
Sinto que meu coração
Se apegou a esta cidade.
O que sinto na verdade,
É amor e gratidão.
Talvez não esteja só;
O calor de Mossoró
É de hospitalidade.




UM LUGAR PRA IR

Eu não sei se há
Um lugar pra ir.
Sem poder ficar.
Sem querer partir.
Eu não quero, jamais,
Me despedir.
Quantas vezes mais,
Vou ter que ouvir
Você me dizer
Que não quer me ver
Mais aqui?
Eu não sei se há
Um lugar pra ir.
Sem poder ficar.
Sem querer partir.
Entre nós, talvez
Haja uma aversão.
Mas, por que razão,
O meu coração
Teima em lhe querer,
Teima em não lhe ouvir?
Eu não sei se há
Um lugar pra ir.
Sem poder ficar.
Sem querer partir.

Não será mais fácil
Dar as costas
E sair?
Só há uma resposta:
O amor não gosta
De se ver despir.
Eu não sei se há
Um lugar pra ir.
Sem poder ficar.
Sem querer partir.




NO MAR DO QUERER

O meu barco
Estende a vela
Sob o azul da aquarela
Pelo mar de meu querer.
Onde as cores
São os amores
Que na certa,
Eu vou ter.
Onda, onda, onda,
Venha me dizer
Onde anda o barco
Que só quer o mar,
Onde anda o peito
Que só quer doer.
O meu peito
Não tem jeito,
Quer viver
Na quietude
E manter a juventude
De meu ser.
Onda, onda, onda.
Venha me dizer
Onde anda o barco
Que só quer o mar,
Onde anda o peito
Que só quer doer.
Quem vai me encontrar
Perdido em você,
Sempre a navegar
No mar
Do meu querer?
Onda, onda, onda,
Venha me dizer
Onde anda o barco
Que só quer o mar,
Onde anda o peito
Que só quer doer.




SOB O CHICOTE DA MORTE

Enquanto a morte
Me batia
Com seu chicote
Na solidão da noite,
Na velha casa vazia,
Não conseguia dormir.
Pensando em ti,
Eu pude resistir
Por mais um dia.
Em meio ao meu sangue,
Enfim, gritei seu nome.
Mas, não pude te ouvir.
Já em crise convulsiva,
Senti uma leve brisa
Que trazia teu perfume.
A morte então, me confunde,
E em meio à agonia,
Abro os braços
Tentando um último abraço
E em vez de ti, amor,
A morte me cingia.




ATO INFAME

Um vagabundo
Que vai sem rumo
Por uma estrada desconhecida,
Não tem abrigo,
Não tem amigo,
Não tem amor
E nem também família,
Não passaria despercebido
Pelo seu traje por demais imundo.
Aonde iria tal vagabundo,
Se nunca era bem recebido?
Não dava ouvido.
Talvez, houvesse algum sentido
Em sua vida de retirante.
Pedia sempre que fosse ouvido,
Reconhecido por um instante.
Era um ser vivo
E por tal motivo,
Devia ser algo importante.
Por que razão tão intrigante,
O mundo era imensamente injusto?
Qual seria o verdadeiro custo
Desse ato por demais infame?




DELÍRIOS AO VENTO

Vejo o sol tocar o mar,
Onde noto o seu olhar
Que me incendeia.
Ofuscado por seu brilho,
Meu delírio
Faz o vento desenhar
O seu rosto na areia.
Parece uma sereia
Que acaba de sair do mar
E surge na areia,
Quem sabe, para me levar?
Vejo uma nuvem que passeia,
O seu rosto, apagar.
Tento voltar
À realidade que se queixa
De minha torpe ilusão,
Que gera, esse coração
Que tanto anseia.
Parece uma sereia
Que acaba de sair do mar
E surge na areia,
Quem sabe, para me levar?
Minh’alma anda alheia,
Perdida em sonhar.
Vem uma onda me acordar
E ainda à distância, a vejo inteira,
Desfazendo-se na areia
Desse triste lugar.
Parece uma sereia
Que acaba de sair do mar
E surge na areia,
Quem sabe, para me levar?




PERTO DEMAIS

A vi olhar para mim,
Pela janela do carro, e sorrir.
Tudo começou assim,
Até o dia de vê-la partir.
Por que ainda não veio?
Pergunto a mim mesmo.
Será que havia um segredo
Ou abandonou à dança antes do fim?
Talvez, estive perto demais,
Que ela não pudesse me ver.
Só resta agora, esquecer
E tentar seguir em paz.
Na certa, eu fui o culpado
De ela ter perdido a ilusão
Do príncipe encantado.
Eu sei não ser nada fácil,
Uma mera separação;
Apesar de ser tão frágil,
Essa nossa relação.
Talvez, estive perto demais,
Que ela não pudesse me ver.
Só resta agora, esquecer
E tentar seguir em paz.
Cansei de esperar, volto atrás,
Corro para a estação
Ainda a tempo de vê-la partir
Sem se despedir de mim.
O meu rude coração,
Sem saber o que sentir,
Diz fim.
Talvez, estive perto demais,
Que ela não pudesse me ver.
Só resta agora, esquecer
E tentar seguir em paz.




QUERUBIM

Antes de nós,
Sangue nos lençóis
De cetim.
Vejo tua sombra
Se dissipar
Pela rua da memória,
Onde mora
Meu pesar.
Sob a abóbada
Da catedral
Do enorme mal
Que há em mim,
Vejo meu próprio fim.
Antes de nós,
Sangue nos lençóis
De cetim.
Atravesso portas
E paredes tortas
Que distorcem meu sinal.
E no último degrau,
Tua face afinal,
Reaparece.
A minha prece
Foi para poder,
Antes de morrer
O meu ser carnal,
Te reacender
No fogo infernal
Do anjo imoral
Que é meu querubim.
Antes de nós,
Sangue nos lençóis
De cetim.




SOB O JULGO DA PAIXÃO

Eu deixei cair, as flores, no caminho.
Cortesia e carinho,
Esqueci.
Em um ato indecente,
A convenci
Fazer amor, urgente.
Minha idade, complacente, dizia não
Ao teu corpo que docemente, me reteve.
Toda aquela paciência e respeito
Desabaram-se em fúria.
A delicadeza tão sem jeito,
Transformara-se em loucura.
Minha idade, complacente, dizia não
Ao teu corpo que docemente, me reteve.
E depois de saciarmos nossa sede,
Descobrimos que foi precipitação,
Que a razão não nos deteve
Por está sob o julgo da paixão.
Minha idade, complacente, dizia não
Ao teu corpo que docemente, me reteve.




O MUNDO É UM SÓ

Eu já sei de cor,
Que o mundo é um só,
Apesar de tanta gente.
A verdade e a mentira
São opostos de uma mesma trilha.
De um lado, a saída;
D’outro, a ilusão perdida.
Não importa o continente
Ou uma distante ilha,
Somos todos, simplesmente,
Feitos de matéria antiga.

Eu já sei de cor,
Que o mundo é um só,
Apesar de tanta gente.
Cada um é mais culpado que inocente;
Selvagem sobrevivente
Que saqueia e mata;
Filho da mesma primata.
Eu não sou tão diferente;
Sou indiferente,
O que é pior.
Não seria melhor,
Por ser meramente
Pó.

Eu já sei de cor,
Que o mundo é um só,
Apesar de tanta gente.




AVE NOTURNA

Teu beijo sem pudor,
Em ti, continua.
Voa pela rua,
Sob a luz da lua,
Ainda à procura
De amor.
Em meio à praça,
Ave noturna,
Teu canto oculta
A tua alma.
Teu rosto tão sem cor,
Não a desfigura.
Triste criatura,
Tua vã conduta,
Tua vil desgraça.
Em meio à praça,
Ave noturna,
Teu canto oculta
A tua alma.
Teus braços feito asas,
Cortam o silêncio,
Abraçando o vento.
Sem palavras,
Tua sombra soturna
Desloca-se em tempo.
E com fingimento,
Entrega-se e caça.
Em meio à praça,
Ave noturna,
Teu canto oculta
A tua alma.
Em tuas lágrimas,
Flui tua culpa.
A luz ofusca
E embriaga.
A tua pluma escassa,
É do vestido que se insinua.
E seminua,
A própria dor, disfarça.
Em meio à praça,
Ave noturna,
Teu canto oculta
A tua alma.
Tua pintura exagerada,
Atrai a presa
Que, com certeza,
É quem desfruta
De tua candura
Como última arma.
Em meio à praça,
Ave noturna,
Teu canto oculta
A tua alma.




EM PRETO E BRANCO

Em minha solidão
De tantos anos,
Busco um coração
Cheio de planos,
Também de desenganos,
Como o meu.
Quem não sofreu
Por amor,
Não sabe ainda, o que é dor,
Que nunca cicatriza,
Embora sirva
De lição.
Quem vive de ilusão,
Tem sempre à mão
Uma paixão,
Seja qual for.
Eu reconheço o lugar
E permaneço em silêncio,
Sem acreditar
No que estou vendo.
E antes mesmo de tocá-la,
Eu sei a hora de beijá-la
E o sabor.
Quem não sofreu
Por amor,
Não sabe ainda, o que é dor,
Que nunca cicatriza,
Embora sirva
De lição.
Quem vive de ilusão,
Tem sempre à mão
Uma paixão,
Seja qual for.
O seu olhar
Não me censura;
Mas não entende:
Como alguém pode me amar
Tão loucamente,
Sem nem saber quem sou?
Quem não sofreu
Por amor,
Não sabe ainda, o que é dor,
Que nunca cicatriza,
Embora sirva
De lição.
Quem vive de ilusão,
Tem sempre à mão
Uma paixão,
Seja qual for.
Eu tinha um sonho pra contar,
Que acabo de realizar.
Achei que fosse só meu pensamento.
Você não é apenas sentimento,
É de verdade, como eu.
Quem não sofreu
Por amor,
Não sabe ainda, o que é dor,
Que nunca cicatriza,
Embora sirva
De lição.
Quem vive de ilusão,
Tem sempre à mão
Uma paixão,
Seja qual for.
De repente, você se desfaz
Em mim.
E vejo enfim,
Que alguém lhe apagou.
E continuo, assim,
Em preto e branco,
Um personagem em pranto,
Feito de nanquim.
Quem vive de ilusão,
Tem sempre à mão
Uma paixão,
Seja qual for.



COISAS BOBAS

Após a chuva,
Eu atravesso a rua.
Meus pés descalços,
Espalham as poças.
As moças,
Em meio a abraços,
Ainda seminuas,
Dizem coisas bobas.
São minhas,
São suas,
São tantas,
São outras.
E de repente, uma garoa,
Uma garota
Abre a sombrinha;
Então, caminha
Sozinha,
Até dobrar a esquina,
Enquanto digo coisas bobas.
São minhas,
São suas,
São tantas,
São outras.
Eu que estava à toa,
Ponho-me à procura
D’aquela musa
Encantadora.
Cabelo molhado,
Andar apressado,
Corro pela rua.
Quando chego à praça,
A alguém, ela abraça;
Falando coisas bobas.
São minhas,
São suas,
São tantas,
São outras.
É o que nós fazemos,
A nossa vida toda.
É o nosso pensamento;
Não é nossa escolha,
Falarmos coisas bobas,
Fazermos coisas tolas.
São minhas,
São suas,
São tantas,
São outras.




RETRATO DE INFÂNCIA

Um ambiente, por mim imaginado.
Um chão rachado
Qual o de minha infância.
Na ignorância
De um velho ali sentado,
Cachorro ao lado,
Latindo com a criança
Que corre solta debaixo do telhado,
Vejo-me retratado
Na lembrança.
Meu pai, calado,
Com sua esperança.
A mãe, que dança
No terreiro molhado.
Vem vindo o gado,
Mamãe não se espanta.
Acostumado,
O vovô se levanta.
Em poucos passos,
Pára, descansa
E fala com a voz mansa,
Cada nome decorado,
De cor e salteado:
Estrela, Pejada, Branca,
Canela, Bruto, Malhado...
Meu pai, a porteira alcança.
Adentra o gado apressado.
Fubá, bezerro de mama,
Pinoteia pra todo lado.
O mano, o corcel, monta.
E atalha muito animado.
Uma canção, ele canta,
Acompanhando o chocalho:
Ah! Coração de vaqueiro apaixonado,
Bate forte
No galope
De seu cavalo selado.
O seu verdadeiro amor
É a marca que deixou
Na rês presa por seu laço.




EM COMPLETA SOLIDÃO

Nosso amor acabaria
Entre escombros e destroços,
Sucumbido à palidez
De meus remorsos.
Na tristeza de meus olhos,
Vê-se a dor que me agonia.
O medo me deixaria
Em completa solidão.
Teu corpo jaz
Enquanto cai
A chuva.
Com ele, a paz
Que em mim, se esvai
Por culpa.
Quando entregue ao silêncio,
Ponho a mão no rosto e choro.
Meu amor, eu não suporto
Esperar por um só dia.
Não se pode dar a vida
Pra ressuscitar os mortos.
Se pudesse, eu daria;
Mas não posso.
Teu corpo jaz
Enquanto cai
A chuva.
Com ele, a paz
Que em mim, se esvai
Por culpa.
O meu último sorriso,
Sob a areia, ficaria
Sepultado com a alegria
Dos teus olhos.
Tenho a frieza dos moços
Quando ante o perigo.
Sou agora, um maldito
Convertido à perversão.
Teu corpo jaz
Enquanto cai
A chuva.
Com ele, a paz
Que em mim, se esvai
Por culpa.




DE SUA VERSÃO

Da realidade
Que disponho,
Seu rosto, componho
Na ilusão
De que posso vê-la
Além dos sonhos,
De que posso tê-la
Em minhas mãos.
Nesses meus desejos,
Sinto um longo beijo
De sua versão.
Na imperfeição
Dos meus planos,
Só os desenganos
Têm razão.
A situação
Em que me encontro,
É de desencanto
E solidão.
Nesses meus desejos,
Sinto um longo beijo
De sua versão.




ENTRE SINAIS DE FUMAÇA

Os filhos da mata
Estão na praça,
Em guerra.
Buscam a terra
Entre sinais de fumaça.
Os cara-pálidas,
Incendiaram a floresta.
Até parece loucura.
São os civilizados
Que usam a força bruta
E os nativos acuados,
Levam a culpa.
Saem à caça,
Com arco e flecha.
Morrem na certa,
Ao som das armas.
Bravos guerreiros
Que os fazendeiros
Expulsam a bala.
Até parece loucura.
São os civilizados
Que usam a força bruta
E os nativos acuados,
Levam a culpa.
É desumano
Que ano a ano,
Seja espremido;
Povo nativo,
Fora da mata,
Corre perigo.
Tenho vergonha
De meu país,
Quando o nativo
É proibido
De ser feliz.
Até parece loucura.
São os civilizados
Que usam a força bruta
E os nativos acuados,
Levam a culpa.




VIOLÊNCIA E MEDO

Fecho as janelas
Pra não ver a rua.
Solto as cortinas
Pra não ver a lua.
Você seminua,
Não me aparece.
Temo a solidão,
Faço uma prece,
Faço uma jura.
Liberdade oculta
Sob o meu nariz.
Violência e medo.
O meu maior desejo
É ser feliz.
Abro os olhos
A sua procura.
Mas a noite escura,
Ainda me dá medo.
Guardo um segredo,
O de quem tem culpa.
E peço desculpa
Enquanto é cedo.
Liberdade oculta
Sob o meu nariz.
Violência e medo.
O meu maior desejo
É ser feliz.
Abro e fecho a porta
Pra você entrar.
Não tenho resposta
Pra lhe dar.
Evito chorar;
Mas ainda, é cedo.
Tenho tanto medo
De te amar.
Liberdade oculta
Sob o meu nariz.
Violência e medo.
O meu maior desejo
É ser feliz.
É tão desumano
Ser humano.
É melhor ter dono,
Ser irracional.
Fazemos o mal
Com a maior frieza.
Servimos à mesa
Com a falsa moral.
Liberdade oculta
Sob o meu nariz.
Violência e medo.
O meu maior desejo
É ser feliz.
Sou um desengano.
Seu maior engano.
Você é um anjo
Nesse nosso inferno,
Onde eu enterro
O meu desencanto,
Onde eu me escondo
Desse ódio eterno.
Liberdade oculta
Sob o meu nariz.
Violência e medo.
O meu maior desejo
É ser feliz.



NENHUM ADEUS

A noite parecia boa.
Eu estava à toa
Até você aparecer.
Sabia não ter mais escolha
Quando sua boca
Veio me reacender.
Teria encontrado só prazer
Ou uma intensa paixão?
É certo que afastou a solidão
Que teimava em me acolher.
Entregue, minha alma sofre
Enquanto você move as mãos.
Recebo tanta atenção
Que o meu corpo dorme.
Pela manhã,
Entre os lençóis,
Apenas um de nós
E nenhum adeus.