Mão & Caneta

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Obscuro

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PREFÁCIO

Não conheço o poeta em pessoa, eis uma obscuridade. Mas vale salientar que conheço sua poesia, seus versos intimistas e transgressivos que se transportam ao leitor. O “Eu” é mais que uma citação pessoal, o poeta deixa ao leitor sua essência; “Eu”, torna-se aquele que lê.
Verifica-se um corte de expressão em alguns versos, suspendendo conceitos e idéias e ao mesmo tempo estendendo à compreensão, o contexto.
Obscuro é alguns versos e conseqüentemente poemas que deixam o leitor perdido. No entanto, ao tornar-se personagem e autor, há um reencontro de entendimento dentro da obscuridade.
A leitura de Obscuro é essencialmente relevante no tocante à poesia assimétrica entre poemas dissonantes em sua entonação ao serem declamados,
embora a harmonia seja, via de regra, compassada há um desprendimento no que concerne ao seu entalhe descritivo.
Não quero compelir o leitor a situar-se ante a leitura de Obscuro, porém, saliento a melhor maneira que encontrei de atingir o alvo. Alvo este, o verdadeiro sentido do poema, a leitura introspectiva dos versos.

Paulo André




OBSCURO

Obscuro
Tal passado não lembrado,
Tal futuro desejado,
Mas incerto.
Obscuro
Como o muro e o telhado
No escuro assombrado
De uma noite de inverno.
Obscuro
Tal telúrico inferno
Imaginado.
Obscuro
Como minhas mãos no barro,
Como o germe inoculado
Em meus versos.
Obscuro
Tais poemas rejeitados,
Entre páginas, dobrados,
Sem sucesso.
Obscuro
Tal viagem sem regresso,
Como o livro apagado,
Reimpresso,
Novamente intitulado;
Tal magia de um mago,
Tal a escuridão de um cego,
Tal o silêncio de um surdo,
Obscuro.




LÁGRIMAS

As lágrimas diluem a tristeza
Que aos olhos se revela.
Lágrimas essas,
Que trazem brilho ao olhar
Quando a alegria desperta
E o sorriso então, se apressa
Em se expressar.
Que mistério
Às lagrimas, impera
Duas formas tão diversas
De chorar.



A FENDA

Na fronteira do saber,
Abre-se uma fenda:
A ignorância.
Onde a própria consciência
Não alcança
O mais débil pensamento.
Na escuridão,
Não há tempo
Para o mais sutil lampejo.
Pois que prevalece o medo
Da luz do conhecimento.



A FUGA

Quando ouço que a loucura
É a salvação do homem,
Sinto os pés na sepultura.
Pois que louco sou, de longe.

Há muito tempo eu nego
No recôndito de meu cérebro,
Que o mundo irá se acabar.
Nem os loucos, eu espero.

Eu prefiro aqui ficar.
Seja céu, seja inferno,
O melhor é o regresso
Para a terra, o meu lar.

Todavia, se eu não estiver
certo,
Eu fujo para o deserto,
Não sou louco pra esperar.




INTERPRETAÇÃO

Toda dúvida que paira na
certeza
É a única centelha
De razão.
Posto a emoção ser cega.

Como o mito da caverna
De Platão,
A realidade é interpretação.
A ilusão uma aresta
Sem nenhuma digressão.

Qual teoria está certa?
Toda aquela
Que duvida de sua própria
explicação.



SINTO SAUDADE

Sinto na realidade
Do presente,
Saudade
De um tempo inusitado
Que se encontra em meu
passado,
Que passou à minha frente.

Sou um velho sorridente
Que se cala
E sentado à calçada,
Vê seu mundo diferente.



PRA FICAR NA HISTÓRIA

Quanto resto
É jogado fora.
Tanta sobra,
E o brasileiro
É sempre o primeiro,
A pedir esmola.
Quanta fome
Nos consome agora.
Quanto o Homem
Ao Homem, explora.
Eis a glória
De ser brasileiro,
É não sentir medo
De morrer mais cedo
E ficar na história.




SEMELHANÇA

Minha dor seria sempre a
mesma
Se a tristeza
Não fosse meu consolo.
Não escolho
Ser dessa maneira,
Nem que eu seja
Apenas um estorvo.
O meu rosto,
Sei que se assemelha,
Quando espelha
Ao mundo todo.



EMBRIAGUEZ

O fim de semana
É a prova humana
Da evolução.
Poucos estão lendo.
Alguns estão morrendo,
E o pior, em vão.
Todavia, a maioria
Busca a alegria
Na doce ilusão
Que entre um gole e outro,
Vão subindo aos poucos
Em satisfação.
Esquecem os danos
Dessa estupidez.
Não sabem, talvez,
Que a embriaguez
É o passar dos anos.




TELEPATICAMENTE

Vivo na obscuridade
De meus pensamentos
Que ninguém lê
Telepaticamente.
Imagino uma linguagem [diferente,
Onde não houvesse mentira,
Nem como esconder os [sentimentos.
Seriamos mais queridos
Ou plenamente odiados.
Um livro aberto,
Um quadro exposto.
Não poderia o rosto,
Disfarçar os pecados.






ENXURRADA

Entre pegadas,
Eu deslizo na areia
Com a mão cheia
De sementes pra plantar.
Espero as águas.
Quase morro de esperar.
Na terra seca,
A enxurrada que goteja,
Provém das lágrimas
Que acabo de chorar.




TIQUETAQUEAR

Na solidão,
Preciso de silêncio
Para escutar
A imensidão do tempo
No tiquetaquear.
E devagar,
Me perco em pensamentos.
Sou resumido
A um simples elemento.
Tento despertar,
Pois já não me percebo,
E tenho medo
De não poder voltar.
O tiquetaquear
Por mim reclama,
Quer reacender a chama
Que teima em se apagar.
Nessa hora, eu estremeço,
De mim esqueço,
E paro de pensar.




AMOR CARNAL

O que é afinal,
Um amor imortal,
Senão o que eu sinto?
Acredite, não minto.
Meu amor é carnal.
Sendo carne é real.
Ele é físico,
É matéria
Que em decomposição,
Passa do meu coração
Para a terra.
Eis que um dia, irá brotar
Numa flor que se abrirá
Na estação da primavera.



ENTRE LIMITES

Numa trajetória, não alinho
O percurso desenhado.
Estou cansado
De traçar o meu caminho.

Viajar entre limites
De um mapa contornado,
Não me tira o desamparo
De estar sempre sozinho.

Dentre curvas infinitas
De um cenário imaginário,
Eu levo a vida.

Sinto que a despedida
É o sono que me tira
Do trabalho.




O VÍCIO

Eu ouço a horas,
Tal um choro reprimido
De alguém que usa drogas.
Na mesma hora,
Eu consigo ouvir o riso
Desse mesmo alguém que [chora.
A mesma história.
O mesmo vício.
Um sacrifício que a todos [incomoda.



UMA FRASE

Ao ver seu filho dormindo,
Eis que o poeta, sorrindo,
Assim, diz:
É minha vida
Resumida
Na criatura mais bonita
Que eu já vi.




CARPIDEIRA

Sou mercenária,
Não sou tão feia.
Não dá cadeia,
O meu negócio;
Pranteio mortos.
As minhas lágrimas,
Não são meus ais.
Entre velas e castiçais
De funerais,
Não me consolo.
Por isso choro
A morte alheia.
Sou carpideira.



CONSELHEIRO

Levante a cabeça,
Siga em frente.
Seu olhar vai simplesmente,
O erguer.
E para se manter
A cabeça erguida,
Nada melhor que a vida
Para viver.
Conselho,
Talvez não lhe dê prazer.
Procure entender o conselheiro
E terá o mundo inteiro
Para aprender.




ÁTOMO

Estou por dentro
De tudo que é inteiro.
Sou em pedaço,
Aquilo que se quebrou.
Enquanto átomo,
A flor que está no canteiro,
O barro, o jarro,
Até mesmo o jardineiro
E aquele que comprou.
Não sou visível,
Porém sou tão verdadeiro
Quanto tudo que eu sou.



SANGRADURA

O poeta só sangra
Quando chora.
Quando ele se corta,
Apenas se fere.
À ferida suporta
Até que cesse
O ardor que incomoda.

Porém, o choro sufoca.
E o poeta padece.
Quando enfim, não mais chora,
Sua dor permanece.



ESQUEÇA QUE TE ESCREVI

A minha carta
Tinha letra feia,
Lindas palavras
Que eu mesmo escolhi.
Você me fez tamanha desfeita,
Não deu resposta;
Tornou-se alheia
Ao que te pedi.

Exasperado,
Com a mão na cabeça,
Peço que esqueça
Que te escrevi.



QUESTÕES

O meu fracasso
É tratado com desdém.
Eu vou além
Do que alcança o meu braço.
Não há espaço
Para as perguntas que eu faço,
Para as questões que o mundo [tem.



DEPOIS DA CHUVA

Ando pela estrada vazia,
A conversar sozinho.
O meu caminho,
Dessa forma, se encurta.
Penso poesia
Todas as horas do dia,
Todos os dias do ano,
Todos os anos que tenho de [vida.
E toda a vida que tenho,
Não passa de um sereno
Disperso, depois da chuva.



PARTO

Lembro
O aterrorizado momento
De nascer.
Estavam mascarados
E me fizeram chorar.
Um cheiro adocicado
Impregnava o lugar.
E me puseram junto a você
Pelo lado de fora,
Onde eu me encontro, agora.
Será que é igual a morrer?




POR TANTOS ANOS

Não espero ficar acordado
Por tantos anos.
Mas acordado, eu sonho
Que estou a dormir.
E dormindo, eu me acho.
E me achando, eu me castro
Da vontade de ir.




FRAÇÕES

Abro a porta do quarto
E o vejo tão inteiro
Que não encontro um meio
De dividi-lo a dois.

Você e eu, depois.
Ele será o terceiro.
O meu nome em segundo.
Ele vem para o mundo,
Uma fração de nós dois.




LUPINO

Tenho a mesma bondade
Que as lobas ferozes
Com seus filhotes.
Eu dilacero presas,
Deixo insepultos, corpos.
E entre mortos,
Dou aos lobachos,
Minhas tetas.




SEMPRE MODERNA

Talvez um dia,
Eu seja restaurado
Em um livro envelhecido,
Por estar descuidado
Numa caixa sob velhas [prateleiras.

Nesse dia,
Alguém reconhecerá, não [minha letra,
Mas meu estilo,
Minha maneira
De versar.

Nesse dia quem sabe,
Irão brindar
A nova descoberta:
A de um velho poeta
Que tem sempre moderna,
Sua forma de pensar.




OS QUE VIVEM À MARGEM

Os que vivem à margem
Também vivem.
São tristes, são felizes,
São gente de bem.
O que eles não têm,
Sobra em sua casa.
Pasme ante a desgraça:
Você põe no lixo.
A fome é um bicho
Que come também.
Come sua alma,
Todo o amor que tem.






JOVEM

Olhe para dentro desses olhos [jovens,
Olhe atentamente.
Veja que há um mundo à sua [frente.
Veja o que ele pode.

Jovem,
O espelho simplesmente
Mostrar-lhe-á o seu limite.
Não fique triste,
A lágrima que cair, insiste,
Será um dia sorridente.






PUTREFAÇÃO E SILÊNCIO

O mundo é desonesto com sua [prole,
Mantém seus corpos cerrados.
Putrefação e silêncio.
No entanto, é justo a contento.
Quer seja rico,
Quer seja pobre,
A mesma terra os cobre.
Putrefação e silêncio.




TAMBÉM

Sonho que a necessidade [encontra
Uma rua
De fartura
E tolerância,
Onde a pujança
Doa-se à miséria,
E as pessoas que tem muito,
Dividem um pouco
Do que tem.

Talvez esteja louco
Também.




SOBREVIVENTES

Não me liberto
Desse cárcere subjetivo.
Entre paredes de vidro
Transparente,
Eu vejo ao meu redor
Toda essa gente.

Nesse casulo enorme,
Plebeus e nobres
São meros sobreviventes.




ELEITOS

Queixo-me da falta de [vergonha
Dos homens que foram eleitos.
Excelentíssimos senadores e [prefeitos;
Deputados que na câmara,
Esquecem das promessas de [campanha;
Vereadores,
Os senhores
Vão aonde o dinheiro manda.
Até o presidente,
Minha gente,
Conquistou a mesma fama.





PISTOLÃO

Existe uma arma
Tão promíscua e corrupta,
Que fere mais do que pistola.
É o pistolão
Que aprova e desaprova
Nossa estúpida
Educação.

Uma arma
Onde a pátria sai ferida,
Onde a vaga
É ocupada
Por figura conhecida.






MENOR ABANDONADO

Não tive tempo
De rever meus atos,
E quando leram os autos,
Não pude me defender.

A lei não sabe me dizer
O que é errado,
Pois anda sobre o muro do [acaso,
Entre justiça e poder.

Eu vejo um inocente [condenado
E ouço um culpado
Se gabar por não morrer.

Assisto na TV
Um triste caso,
De um bebe despedaçado.
Um menor abandonado
Fica impune até crescer.




ALGUMA FILOSOFIA

O que um professor me [ensinaria
Que eu não aprenderia
Com o mundo?

Nem sempre seguir rumo
É saída.
Às vezes, essa vida
Vai tão fundo
Que é preciso um segundo
De alguma filosofia.




TUDO NÃO PASSA DE ARTE

Sou microscópica parte
Na imensidão do universo.
Se faço errado ou certo,
Tudo não passa de arte
Que só o homem conhece.

O homem faz tanta prece,
Que esquece da verdade.
Parece até que a verdade
Enlouquece
Esse mundo sem coragem.

Serei carcaça e vermes
Na podridão do futuro.
O homem se enfurece
Acreditando ser fruto
De um mito que ele venera.
Seremos pó numa esfera
Que ficará no escuro.





O EU

Esse eu que em mim existe,
Tanto insiste
E quer saber,
Se eu sou esse vulto triste
Ou se eu sou o que se vê?
Eu seria por não ser,
Ambos os que em mim estão:
O eu que tenta entender;
O eu que parece são.




SEM PERCEPÇÃO NEM PRANTO

Não são muitos os que lêem o [que escrevo.
Meu desejo
É que o mundo inteiro
Leia.

O meu louco pensamento
Ainda vagueia
Em silêncio,
Tal uma teia de aranha
Ao vento,
Sem percepção nem pranto.

Meu veneno destilado
É portanto,
Traduzido em versos quase [apagados,
Que só olhos aguçados
Podem ver que têm encanto.





ÚLTIMO AMANHECER

Vivo o hoje, intensamente.
O amanhã é utopia.

Vivo cada dia,
Simplesmente.
Pois se vivo é presente,
Amanhã eu viveria.

Vivo cada amanhecer
Como se hoje fosse ser
O último dia.

Vivo pelo tanto que vivi
Com tristeza e alegria
E novamente viveria
Pelo mesmo que senti.





ÓPIO

Deus é uma droga
Que vicia ao que crê,
Que não deixa à verdade [perceber
E que acha que o mundo não [importa.

Não existe prova
Que o faça entender
Que essa droga
Vai fazê-lo enfim, perder
A sua vida
E a coisa mais sagrada e bonita
Que é saber como viver.




DOR

É tão difícil acalentar a dor [humana,
Seja dor física,
Seja dor de emoção.
A dor pode ser tamanha
Que supera a razão.
Tudo é em vão
Quando a dor nos põe de [cama.
E se engana
Aquele que diz suportar.
Quando a dor persiste em [continuar,
Não há no mundo quem reaja
Sem chorar.






DESABAFO DE UM FETO

Aprovo sua decisão tomada,
Foi acertada,
Foi o mais certo a fazer.
Amo você.
Sei que também me amava.
Mas, meu pai a estuprara;
Tinha o direito a escolher.

Além do mais,
Uma deformação me aleijava,
Meu cérebro lentamente [definhava,
Em pouco tempo iria morrer.
Apenas a faria sofrer.
Como uma aberração que não [chorava,
Não sorria, não mamava,
Não deveria viver.





PASSOS INCERTOS

Todos os meus passos são [incertos
Por não ter certeza aonde ir.
Sei que não é perto;
Longe, e decerto
Sem ninguém para me ouvir.

Todas as razões só me [carregam
A distanciar-me dos doutores.
Não discuto fórmulas, nem [valores.
Tento a existência, resumir.

Os meus toscos versos
Que se perdem aqui,
Serão descobertos
No porvir.



A CRÍTICA

Quem criticou a poesia e o [poeta,
Que ela imita
E ele expressa os demais?
Se cada verso que faço
Não me explica,
Não justifica meus ódios e [meus ais,
Que eu seja todos os outros
Em resumo,
Que o mundo leia o esboço
Dos imortais
E que o crítico
Seja humilde
E volte atrás.




A FRASE

O fundamentalismo moral
Não está em Deus,
Mas na evolução cultural [humana.
Deus não evolui,
O homem sim.

Essa frase, digo enfim,
Como um poeta que ama
A capacidade humana
De ser bom e ser ruim.




MAIS UM

O que faço sob esse céu azul,
Senão caminhar a esmo
E nunca chegar a lugar [nenhum?

Do cansaço ao desespero,
Desconheço
Se sou último ou primeiro,
Ou se apenas sou mais um.

Talvez, eu seja tão comum
Que a mim mesmo
Desconheça,
Ou talvez eu me pareça
Com mais um.



BELO QUADRO

Que estupenda visão,
Que belo quadro,
O céu parece pintado;
Mas por qual mão?

O sol por trás do telhado
Se esconde agora, acanhado.
Enquanto eu, aqui deitado,
Vejo o céu avermelhado,
Mergulhar na escuridão.




O ANCIÃO

Comemoro
Meus cem anos de idade,
Com secular sobriedade
E pesar no coração.
Por ver meu mundo andar na [contramão
E explorar sua própria [necessidade.

Sinto saudade
Do compadre,
Da comadre,
Do bom-dia, boa-tarde,
Do velho aperto de mão,
Do boa-noite desejado no [portão
Após a prosa começada ao fim [da tarde.

Sepultei todas as minhas [amizades.

Mas garanto de verdade,
Que há pior solidão.
A de quando levado a ser o [primeiro
Por algum direito
Que alguém conquistou
Em filas onde falta o respeito
A um ancião
Que como cidadão,
Ainda tem valor.




MOMENTO DE RAIVA

Não meço minhas palavras,
Não modero meus insultos.
Quando expresso minha raiva,
Qual serpente, faço uso
Da saliva peçonhenta
Que a cabeça alimenta,
Que na boca
Eu desfruto.

Sofro por ser tão sujo
Quanto aquele que me [enfrenta.
Mas não posso ficar mudo
Quando um merda sem [escrúpulo,
Me acusa de indecência.





CONTRADIÇÃO

Por mais que eu refaça meus [passos,
Nada sai do mesmo jeito.
O que foi defeito
Em dado momento,
Tornou-se correto.
O que fora exemplar e reto,
Tem agora, imperfeição.
O que estava em minha mão,
Já não mais o alcanço.
Onde canso,
Antes foi disposição.
Todos os meus passos
São passados.
Mas se um dia os refaço,
Terminam em contradição.





ATRAVÉS DA PORTA

O que posso descrever
Nesse exato momento
É à força do vento,
A areia arrastada lá fora.
Amanhã irei embora.
Hoje à noite, há essa hora,
Vejo as casas alheias,
Uma bela, a outra feia.
Há um poste distante,
Uma luz ofuscante,
Uma paz,
Uma estrada vermelha.
Lá no céu, há estrelas;
Aqui dentro, meus ais.
Eu não quero ser mais
Do que sou.





EM TRÊS

Dentro de casa,
As cadeiras se encostam,
As redes se dependuram,
A cama repousa
Em um canto da sala.
Somos em três:
Eu,
Nós dois
E vocês.








BRASILEIRO

Eu me pareço
Com José, com Antônio, com [Francisco.
Por muitas vezes,
Fui por eles, confundido.
E cumprimento com um aceno [de mão,
Por humildade e educação.
Eu nunca vou saber
Quem são os seus amigos,
Talvez jamais conhecê-los.
Porém, há algo em comum.
Não por ser um,
Posto não sermos o mesmo.
Mas somos nós, cada um,
Um brasileiro.





MANDRIICE

Sinto
O ranger de meus ossos
No ataúde;
Tão precária está minha saúde,
Apesar de todos os esforços.

Levantar-me da rede,
Já não posso.
Sinto fome e sede,
Vou rezar o pai-nosso.

A mulher diz que tenho [indolência.
- É o que diz a ciência.
Eu disfarço e coço.
Irritada e arisca:
- Isto significa
Que o que tens é preguiça
Seu troço.


MODA

Às avessas,
A roupa se acomoda.
Mas incomoda
Na opinião alheia,
Por ficar feia
Com a costura de fora.
Se fosse moda,
Seria uma glória
De charme e beleza.







DÚVIDAS FREQUENTES

As perguntas que faço
A mim,
Ainda me embaraçam.
Compensação do que acho
E do que faço,
Enfim.
As dúvidas são tão freqüentes
Que me pergunto: - Ser gente
É ter os braços cruzados
E aceitar o seu fim?





ESMOLEIRO

Estendo meu chapéu
A cada um que passa.
Esmolas escassas
Numa calçada vazia,
Apesar de tanta vida.
Num movimento frenético,
Onde eu sou o mais cético
Por que via.

A miséria é um vão,
Onde apenas um tostão
Nos alivia.
Sei que a maioria
Pede por mania
E uma minoria
Dá por compaixão.





ABSTRATO

Eu tenho minha tez enegrecida
Pelas sombras do passado.
Ajoelhado,
Sustentei tanta mentira.
Meus olhos sintetizam agonia
Nas vias
Do que fora eu de fato:
Retrato
De uma honra esquecida,
Descida
A um mundo abstrato.






EM PARTE

Sou forte
E espero em minha raia,
Um novo alvorecer.
Numa competição tão [disputada,
Que só sobrevive
Quem vencer.
Uma saída tão inesperada;
Pois não havia chegada.
Em parte, não iria nascer.
Caio na mão que ejacula o [prazer,
Vindo a morrer
Na água que é desperdiçada.




PRECES ALHEIAS

Tenho os meus olhos [marejados,
Não pelo sol que me queima,
Mas pela teima
Em viver do meu roçado.

Onde está o inverno esperado?
Quem sabe em preces alheias?
Os meus lábios já cansados
De murmúrios desolados,
Estão cheios de poeira.

Tenho os meus pés calejados
Como uma velha romeira,
Pela lida do roçado,
Pelo tanto que é suado
No abre-abre de porteira.

Onde está o meu pecado?
Quem sabe em maldades [alheias?

Os meus dias profanados
Por um solo que é sagrado,
Mas que sangra pela seca.

Sinto o gume do machado
Cortar a minha cabeça,
Quando o dia da colheita
Que há muito fora marcado
Na folha do calendário, Voa por ser destacado Pela mão que só peleja.








OCULTO II

Se todos os meus passos
Fossem brutos,
Eu não seria mais eu.
Esse eu que me desculpo
Por não velar quem morreu;
Que à sombra
De um deus que culpo,
Aos meus olhos oculto,
Finjo que me convenceu.




CRIATURA

Os teus braços
Cingindo-me a cintura,
Faz surgir a criatura Que sou eu;
Uma réplica à altura
Desse ser que se afigura
Ao meu.





SOLIDÃO VAZIA

Eu enlouqueço
Dia após dia,
Na ironia
De satíricos pensamentos.
E envelheço
Na mais triste felonia
De vãos momentos.

Eu amanheço
Com a trágica alegria
De meus tormentos.
E enfim, adormeço
Sob a solidão vazia
Que aos poucos me alicia
No silêncio.





VENDEDOR DE ILUSÕES

Saí de casa,
Onde não havia pão,
Onde a água era escassa.
Eu vivia de ilusão.

Peguei a estrada,
Minha voz meio acanhada
Pela garganta afetada
Com a poeira do sertão.

Não vendo enxada,
Carne seca e carvão.
Não vendo nada,
Pois só vendo ilusão.




DEMÔNIO

O seu cadáver putrefato
Da cova exumado
Levou-me a lamentar
Por que amar
Tinha que ser um fado?
De olhos lacrimejados
Começo a chorar
Mas minhas lágrimas não são [de pranto
São desse demônio
Que ante teu encanto
Pôde te matar.




SOMBRIA

Triste sombra alheia
Que queres ao me acompanhar
As tuas chagas
Que parecem feias
Não conseguem te parar

Entre alamedas
Caminho sob o sol
Mas esta sombra
Está em minhas veias
Tal as labaredas
Que queimam o paiol

Busco esquecê-la
Todavia, a mesma
Tende a me encontrar

Por te adorar
Numa sombria seita
Minha alma aceita
Esse meu penar.



FIGURA PÁLIDA

Criança descorada,
Uma chama ardente
Que a fome apaga.
Uma mãe que chora [compulsivamente.
Talvez nem saiba,
Ante o vazio
Que assola sua alma.
Assim, retrato
Esse ser ausente,
Como uma figura pálida.



COMO UM FANTASMA

O meu amor é tão presente,
Embora esteja no passado,
Que permanece ao meu lado
Como um fantasma [permanente.

Em letras tristes e apagadas,
De uma carta comovente,
Esse amor já sem palavras,
Lê o futuro à minha frente.

Amor ardente
Que não me deixa em solidão.
Talvez pra sempre,
Humildemente,
Exista no meu coração.



TALENTO

Deixar à mercê do tempo.
Mas se o tempo é mercenário
O quanto o árbitro
É arbitrário,
Onde fica o talento?

Nesse momento,
Ao esporte é necessário
O intento
De vencer o adversário,
Superar seu desempenho.

O torcedor, temerário
Ante a atuação do árbitro,
Vê perder,
Aquele que de fato,
Tem talento.




A NINGUÉM VOU CONFESSAR

Aos que teimam em se [encantar,
Eu escrevo com desvelo Sobre os medos, Os segredos,
Os anseios de sonhar.
Aos que tentam se encontrar,
Falo sobre os desenganos
Que por anos,
Entre sonhos,
Não consiga realizar.

A ninguém vou confessar
Que me encanto,
Que me engano,
E talvez, por sonhar tanto,
Jamais, venha me encontrar.



ABSTRATA REALIDADE

Sempre quis acreditar
Que meu mundo existia.
Não uma mera utopia,
Mas uma nítida verdade.

Desse mundo,
A saudade
É bem mais que nostalgia,
É a mais concreta alegria
De uma abstrata realidade.





CONHECIDOS

Não me fale de pessoas [conhecidas.
Pois estas, sei quem são.
Descobertos,
Somos mera diversão
De uma satírica torcida.

Nossa cara,
Totalmente desprovida
De afetação,
Não comove mais o rude [coração
Do amigo,
Da amiga.




VIVA

Não importa o que faça da [vida,
Faça o melhor que aprouver.
O pecado advindo da fé,
Não valida
Dispensar toda sua energia,
Tudo que você é.

Cada um sabe em si,
O que quer
E ao que objetiva.

Então viva.
E quem sabe enfim, realiza
Tudo que mais precisa:
Que é ter o que quer.





FRUTO DO ENGANO

Observo, esse rapaz Por trás Das grades; violento. Conheci-o há muito tempo, Era amigo de seu pai. Ele sorria demais. Era um bebê sereno.
Esses olhos de veneno, Não havia.
Só nos transmitiam paz.
O que houve por detrás
Daquela cara de anjo?
O que fizera os anos
Com a índole do rapaz?
Sua face de demônio
Não entende que o amo.
Por ser fruto do engano,
Desconhece os meus ais.
Na verdade é meu filho;
Por sua mãe, omitido.
Pela culpa de quem trai.

Não importa o passado,
Mas a esse condenado,
Eu não posso julgar mais.



O CEIFADOR

Do sangue quente em meu [rosto,
Sinto o gosto.
Seu odor me fortalece.

A vítima
Que morre sem prece,
Sangra em silêncio.

Lentamente, solto o lenço
Que a pouco amordaçava
A boca que não tocara
Por um estranho pudor.

Se era loucura ou amor,
Não sei dizer no momento.
Mas, me senti tão sereno
Como quem cheira uma flor.

Sei que foi Deus quem usou
Minha mão como espada
Para punir uma alma
Da qual, Satã se apossou.

Sou o anjo Gabriel.
Volto agora para o céu,
Para servir meu Senhor.




RELAÇÃO

O que teu coração me pede,
Não posso te entregar.
O que teus olhos querem,
Não devo demonstrar.
Não somos mais crianças;
Não alimente suas esperanças.
A vida é passageira.
És uma jovem,
E como tal,
Leve na brincadeira.

Sou apenas um senhor.
Não levante bandeiras
Como se eu fosse um ideal.
És uma jovem,
E como tal,
Leve na brincadeira.

O meu sorriso é pranto.
O teu pranto é encanto.
O meu discurso é mudo.

E no meio de tudo,
Há uma família inteira.
És uma jovem,
E como tal,
Leve na brincadeira.

Não peço que me esqueça.
Todavia, use a cabeça.
E não me leve a mal.
És uma jovem,
E como tal,
Leve na brincadeira.






AMO VOCÊ

Sei que jamais verei
Lugares que sonhei
Um dia visitar.
Mas, teu olhar
Levou-me tão além,
Que lugar nenhum tem O que mostrar.
Tentei conter
E não falar.
Não precisei dizer,
Estava em meu olhar:
Amei você.

Talvez um dia, a dois,
Iremos caminhar.
E em nosso depois,
Venhamos nos lembrar
Do dia em que ousamos
Nos olhar.

Tento conter
E não falar.
Não preciso dizer,
Está em meu olhar:
Amo você.




CANTO

Canto o amor
Tal qual a chama acesa
Desperta a fogueira,
Tal qual a natureza
Modela a flor.

Ocultando o seu nome,
Não por pudor.
Mas pela mesma fome
De seu amor.

Canto outra vez,
Supero a timidez,
Talvez na embriaguez
De um sofredor.

Ocultando o seu nome,
Não por pudor.
Mas pela mesma fome
De seu amor.

Não canto em vão,
Por vir, minha canção,
Do mesmo coração
Que você motivou.

Ocultando o seu nome,
Não por pudor.
Mas pela mesma fome
De seu amor.

Canto para mim.
Meu canto chega ao fim.
Mas meu amor enfim,
Continuou.

Ocultando o seu nome,
Não por pudor.
Mas pela mesma fome
De seu amor.




A FORTALEZA

Uma brisa vem da beira mar,
De onde minha rua se estende.
Um braço leva o vento
A direcionar.
Sei que ninguém entende
Esse meu pensamento,
Esse desafogar.

Esse lugar me deixa
Bem mais forte.
É uma fortaleza,
Uma delicadeza
Que a natureza
Fez para encantar.

A noite, sobre a espuma, o [luar.
No calçadão, caminha minha [gente.
No coração, meu tempo.
Volto a relembrar.
Esse lugar me deixa
Bem mais forte.
É uma fortaleza,
Uma delicadeza
Que a natureza
Fez para encantar.

Mesmo entre ruas novas,
Não é diferente
Sua real beleza.

Esse lugar me deixa
Bem mais forte.
É uma fortaleza,
Uma delicadeza
Que a natureza
Fez para encantar.




TESTEMUNHA

A morte batia na porta
Enquanto a criança
Aqui chora
E pede: - Mamãe deixe entrar.

Não sabia mais o seu nome.
Mas disse:
- Meu filho é a fome.
Espere, seu pai vai chegar.

Um bêbado cai na rua.
Sua testemunha, a lua.
A morte entrava em seu lar.




CAFÉ

O preto
Mede o talento
De quem o pôs para ferver
E o coou.
Pensamento
Que ia me dá prazer.
Café
De corpo encorpado,
Seu grão já escravizou,
Deu tempo ao tempo
Queimado,
Agora simbolizado
Em seu típico sabor.






ESPANTO

Quantas pessoas se cansam
De caminhar
Sem nem sair do lugar
Em que se encontram?

Sem passos,
Não há como localizar,
Não há pegadas
Para seguir.

E elas perdem-se em si,
De espanto.




VOLTAR PARA MIM

Eu sou aquele que corre
Para me encontrar.
E sou capaz de chorar
Quando me vejo.
Até consigo ouvir
O meu falar:
- Que bom vê-lo
Voltar para mim!




ANATOMIA

Todas as bocas se fizeram para [sorrir,
Tal como os olhos,
Com certeza,
Para chorar.
Enquanto as faces
Se adaptam para mentir,
O coração
Se fortifica para amar.
O nosso cérebro
Nunca pára pra pensar,
Nem irá tentar,
Se a razão não permitir.




PALAVRAS VAZIAS

Alguém me disse
Que eu dividisse
Meus bens
E que também
Jejuar-se em oração.
Não disse então,
Que tudo seria em vão.
Que meu irmão
Estaria sem ninguém
E que minha única ação
Seria apenas,
Amém.




DALTÔNICO

Confundo sempre as cores.
As minhas dores,
Também.
Mas não confundo os amores,
Pelos sabores
Que têm.

As flores
Exalam odores
Que só os meus olhos vêem. Assim são meus dissabores. Sinto neles, os odores Da solidão,
De ninguém.




MAGRÍSSIMA

Ante meus olhos
É sombra desvalida.
Magríssima
Pela fome, e em silêncio.
O choro fora engolido pelo [tempo
Tal germe infecto
Putrefaz a ferida.

O seu aspecto
De caveira carcomida,
Com sua pele,
Uma manta sobre ossos,
Causa remorsos
A quem maldiz a vida.

Não tenho lágrimas,
E nego à razão,
A oração que não serve de [comida.
Mais serventia
Que a lerda devoção
Seria o pão
Em sua mão,
Matéria apetecida.




EU MESMO

É quando parto
Que chego.
Meu desespero
É comum.
Não passo de só mais um,
Que está morrendo de medo.
Meu livro aberto em segredo,
Minha existência,
Eu mesmo,
Minha visão de demência,
Minha ilusão de inocência,
Minha clemência incomum.
Se existo,
Sou por não sê-lo,
Eu mesmo,
Sendo mais um.




SARCÁSTICO

Tive um sonho esquisito,
No qual saía em gritos:
-Para que polícia,
Se nós somos os bandidos?
Minha pergunta
Perdia-se no infinito.
Entre cassetetes
E gás lacrimogêneo,
Fomos reprimidos.
Fui acordado por um amigo
Que me explica:
- Foste atingido
Por uma bala de plástico.
Sarcástico,
Estávamos reivindicando
Paz.





VALE A PENA AMAR?

Todos os homens que dizem
Ser suas queixas
Asseverações,
Não vêem
Que suas paixões,
A eles,
Não sobrevivem.
Contudo, cabe ao homem
Enganar-se
E enganar
Enquanto não ficam loucos
E questionam aos poucos,
Se vale a pena
Amar.




DE PÉ NO CHÃO

Ontem fui a um lugar
Que não sei se existe
(Acho que deveria existir).
Um ambiente grã-fino,
Onde em meio ao luxo,
Havia um vago cantinho
Com areia, a decorar.

Sento, tiro os sapatos,
Ponho os meus pés calejados
No chão.
Então,
Começo a rezar.

O lugar já não importa.
Acordo sentado à porta,
De pé no chão,
A chorar.



ANTE A FOME

Como é cruel
A natureza da fome.
Não há mesmo, um só nome
Para defini-la bem.
Não há céu
E nem também,
Alma para se salvar.
O corpo teima em ficar
Enquanto se diz amém.
E o único anjo que vem,
Já não sabe mais rezar.
Dói até mesmo, chorar.
Implorar,
Não há a quem.
Nesse mundo de ninguém,
Não há como perdoar.



QUEIXAS MOMENTÂNEAS

Dentre meus lábios
Resumidos no silêncio,
Faço minhas queixas [momentâneas.
Ninguém escuta,
Talvez, por não serem longas.

Certo de que não há tempo
De odiar,
Tento enganar
Com falsos ressentimentos.

Não guardo mágoas
Por ser breve minha raiva.
Não tenho culpa
Por não conseguir fingir.
Só não posso permitir
Que alguém peça desculpa
Antes mesmo de ferir.




DE NÓS DOIS

Nesse universo de nós dois,
Não há deuses
Nem inferno.

Nesse reinado,
Não há um rei venerado
Por seus servos.

O nosso amor,
Em sua efêmera ilusão,
Parece eterno.

O que é seu,
É meu depois.
O que é nosso,
É simplesmente,
De nós dois.




PEDINDO PERDÃO

Você que me fecha
Com a chave que abre
O meu cadeado
Que vive quebrado
Na minha cabeça,
Não deixe também,
Que isso aconteça
Com meu coração.
Não me enlouqueça
Dizendo que não.

Você que me deixa
Fazendo ilusão
Com o mundo lá fora,
Se já foi embora,
Sou só solidão.
Se ainda não,
Não sou nessa hora,
O triste que chora
Pedindo perdão.



LITERATOS

Aos que balançam a cabeça,
Eu replico
Que no começo,
Somos todos criticados.
Nossos escritos,
Se um dia, premiados,
Não nos darão a certeza
De que foram merecidos.
Eis que a nós,
Os literatos,
Não importa o estrelato.
Mas que ao mundo,
Nós, de fato,
Não sejamos esquecidos.