Mão & Caneta

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O herege II

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Sigo pela calçada vazia e a procura
De alguém que a essa altura me conheça.
Tento esfriar a cabeça. Atravesso a rua,
É loucura que eu agora padeça.

Dessa vez, eu descubro com surpresa,
Que minha vida está presa no passado,
Quanto tempo passado, que tristeza,
Que tamanha frieza quis o Diabo.

Pensei que passara alguns anos,
Engano, dois séculos como defunto e zumbi.
Agora estou aqui sem nenhum plano.
Não há ninguém que amo, mas devo prosseguir.

Eu ando pelas ruas sem uma direção.
Meu coração explode em segredo.
Agora reconheço que tenho uma missão:
Mostrar quem são Deus e o Diabo é um começo.


A revolução

Tentarei evitar que o mundo acabe,
Mostrando à humanidade a única salvação:
Que é manter-se são e morrer tarde,
Não deixar que se apague a luz na escuridão.

Infiltro-me numa grande religião
E uso a razão para avisá-los
Que Deus quer enganá-los com sermão,
Isso em comunhão com o Diabo.

Eu uso os livros para eles sagrados
E apenas com diálogo vencerei.
Desta forma pensei, vou conquistá-los,
Mostrá-los que não existe nenhum rei.

Eu chego a ser mestre dentro da religião .
Uma multidão indaga sobre tudo.
Seja um culto ou mesmo um sermão,
Numa reunião nada fica oculto.

“Mestre Sólio, qual é sua explicação?”
- No sermão eu direi tudo.
Vou ao púlpito e começa a indagação.
- Caro irmãos, quero começar o culto.

“Mestre Sólio, o dinheiro é importante pra manter
O templo que irá crescer e prosperar?”
- O que há? Só precisam de você
Pra poder ser escravo e ajudar.

“Mestre Sólio, não devemos mais pagar?”
- Perguntar nunca irá lhe ofender.
Vá viver com o pouco que restar.
Bem-estar é o melhor a se fazer.

“Mas pra Deus não é pecado,
Pois se ele é o ajudado, que me diz?
- Olhe a frente do nariz, és condenado
Pela morte. Não há pecado, infeliz.

“Nossos erros?” – Deveriam ser julgados
E os culpados punidos com a prisão.
Porque na religião só há culpados
Pois até os inocentes são levados à prisão.

“Mestre Sólio, e os castigos, o que são?”
- São apenas armação do Velho Sábio.
Ele criou o cenário, pois atores em ação,
Inventou a salvação e o pecado.

“Mestre Sólio, e o Diabo, então, existe?”
-Ele insiste em enganar, mas é um bajulador
Do senhor, que enfim, foi o artífice
E insiste que ele seja o opositor.

“E os livros realmente são sagrados?”
- Foram por Deus manipulados e a seu favor,
O temor ao pecado, implantado.
Ao contrário, espalharam ódio e rancor.

“Quanto ao Híbrido, o rei dos reis?”
- Desta vez, Deus exagerou.
Pois com o Diabo apostou. Insensatez
Ou talvez estupidez, falta de amor.

“Quer dizer que o filho foi ludibriado?”
- Pelo Diabo e por seu próprio pai
Que o trai com essa história de pecado
E o deixa odiado por demais.

“Quanto ao espírito santo de Deus?”
- Irmãos meus, Deus já é espírito.
O que é isso! O filho pelo menos nasceu,
Depois morreu liberando seu espírito.

Começo com palavras de conforto.
Vejo em cada rosto uma expressão pesada
Que é carregada sobre o corpo
E o desgosto atinge a alma.

Os livros foram escritos com cuidado.
Ditados pela boca do Senhor.
Então nos enganou usando o Diabo
Que está sempre ao seu lado, a seu favor.

Porém há lacunas e contradições
Que deixam nas religiões, contestação.
Em minha opinião, tenho razões
Para vencer as emoções da multidão.


Tomo V

A interpretação

Encontrei a solução para o problema.
Um esquema que eu posso contornar
Ao demonstrar que não há culto ou novena
Que mude a pena que Deus quer nos imputar.

A minha experiência foi real.
O bem e o mal eu conheci de perto.
Nas portas do céu e do inferno eu vi o final
De cada mortal, planejado pelo Eterno.

Abro um livro e analiso suas páginas.
Vejo lágrimas nos olhos que acreditam
E duvidam de todas as palavras
Interpretadas, de nada abdicam.

No entanto, registro minha interpretação
Pela visão que eu tive lá no céu.
Nas dobras do papel tenho a impressão
Que ilusão seria uma afirmação fiel.

- Deus, quem diria, tem asas de borboleta.
Tomando a forma que nos pareça, como um camaleão,
Garras na mão e também presas,
Uma luz acesa na escuridão.

- O Diabo então, tal um morcego,
Olhos vermelhos, garras na mão,
Uma visão de infravermelho.
Nenhum espelho dá-lhe visão.


- Nenhum dos dois tem coração.
Pudor, perdão não reconhecem
E sempre esquecem uma lição,
Que amor e perdão nos fortalecem.

- Deus nunca soube o que é amar.
Tenta enganar cada ser humano
Com um sentimento que é mundano e sempre será.
Não sabe dar sem dizer quanto.

- Criou Deus, o ser humano macho e fêmea;
Isso é lenda, já nos encontrou formados
Pelo acaso e com alguma interferência,
Mas não plena aos seus cuidados.

- Deus discorda de nossa evolução.
Cria então a história da serpente.
Nos ofende com a sua intromissão .
Sua mão tende a ferir o inocente.

- Só havia um casal em seu jardim
Que enfim geram dois filhos homens.
Um some com o outro, sendo assim,
Deus expulsa o ruim que se esconde.

- Porém, conhece sua mulher em outro lugar.
Como explicar, se a sua mãe era a única que existia.
Deus sabia que iria atrapalhar.
Mas sem ligar, ao homem ditaria.

- Deus então, vem a terra com o Diabo,
Com cuidado para não ser reconhecido
E por isso, toma a forma do criado
Encontrado. Eis um homem atrevido.

- Uma briga se inicia entre os dois.
Só depois de passado algum tempo
Ao relento, o homem pergunta: - Quem sois?
“Direi pois, sou teu Deus e te entendo”.

- Deus fere a perna do oponente,
Dá-lhe um nome diferente e o abençoa.
E à toa, caminhando indiferente,
Ri com aquela gente que o enjoa.

- Um rapaz é executado por onanismo.
O que é isso ante a prostituição.
Quando Deus não impõe nenhum castigo
Por maior motivo, seu pai com a mulher de seu irmão.

- Deus e o Diabo enganam a multidão
Com relâmpago, trovão e muita fumaça.
Acham graça pela grande aflição
Que em cada coração foi implantada.

- Uma lei sancionada pelo senhor
A favor de que seja pago multa.
Uma coisa absurda, uma mãe espancada com furor
Que se apega ao amor que na barriga pulsa.

- A criança é expulsa, mas não morre.
A mulher como é forte enfim escapa.
E por essa desgraça o agressor nem corre.
Livre ele dorme se à multa paga.

- Deus não quer sua imagem revelada.
Numa tenda ele passa a habitar.
Para avisar, um alarme. Na defesa uma arma,
Através da pele mata se proteção não usar.

- Vive Deus como hóspede entre o povo.
Pra ninguém ver seu corpo, vive isolado.
Por um simples pecado será morto,
Se for bastante louco pra trabalhar no sábado.

- Quer mostrar Deus que somos semelhança
E com essa esperança faz cobrança de taxa.
Indivíduo é alma em sua conta.
Não distingue e aponta, quer metade de cada.

- Não importa se rico ou se pobre,
No entanto, resolve estipular idade.
Na verdade, ele ganha com a morte.
Quem for forte não tem validade.

- Deus demonstra ter medo de doença,
Ele inventa para não curar ninguém.
O povo diz amém, pois em sua crença
Não lamenta a morte de outrem.

- Deus possui um tesouro recolhido,
Nas mãos dos preferidos ele entrega,
Pela obediência cega entre outros motivos.
Ele ganha com isso e não nega.

- Deus conhece do que o homem é capaz.
Um rapaz acredita cegamente
Na serpente feita pelo capataz.
O que era Satanás, agora salva gente.

- Deus mistura bruxarias e lendas,
Víboras peçonhentas e veneno de dragão;
Uma enorme confusão, não há quem entenda,
A emenda sai pior que o bordão.

- Os homens sepultam seus mortos.
Pois os corpos não interessam a Deus.
Não são seus nem lhe dão remorsos.
Seus esforços, o divino esqueceu.

- Para dar responsabilidade ao próprio homem,
Deus se esconde por trás deles
E são estes que se escondem
De outros homens, detrás de quatro paredes.

- Com a ajuda de uma prostituta,
Uma desculpa para Deus mantê-la viva.
Quanto a outro que ali habita, não desculpa.
Eis a culpa por não dar valor a vida.

- Não importa o que fizeram essas pessoas.
Uma monstruosidade à toa, do senhor.
Pois matou mulheres, idosos e crianças boas.
Eram todas para ele sem nenhum valor.

- Deus incita saquear o reino alheio,
Sem rodeio diz que fiquem com os despojos.
Eu me enojo ver que todos o anseiam.
Por seu meio já não sentem mais remorsos.

- Deus dizima de uma outra cidade,
Não importa a idade, todos os moradores.
Seus valores e sua insanidade
É uma realidade para aqueles que me ouvem.

- Aos subjugados diz, não temam a mim
E no fim assassina-os friamente.
Uma mente doente que para mim,
Não importa um jardim a custa de gente.

- Deus reclama, entre o povo ter ficado
Em tenda e tabernáculo. Pois queria uma casa,
Porém de morada, tem em nome modificado.
Resultado, para o filho do Rei é adiada.

- Nessa parte, Deus enfim complica.
Quem incita o Rei a contar o povo,
Ele ou o outro? Ninguém explica.
Não seria Deus para culpar o outro?

- O Rei arrepende-se de ter dado ouvido
E obedecido a Deus ou ao Diabo.
Que macabro, contradiz o livro.
Um sentido pra dois resultados.

- Deus então promete ao Rei, castigo,
Escolhido entre três propostas.
A resposta entre ser perseguido
Pelo inimigo e ver o povo às costas.

- Eis que o Rei se acovardou na hora.
Essa história, escutar não posso.
Setenta mil mortos por uma resposta
Que desgosta o Rei em remorso.

- Porém, o Rei num ato de coragem,
Pela imagem do povo sendo dizimado
Pelo seu pecado, em desvantagem,
Como agem os heróis, assume ser culpado.

- Quando ecoa dentro da caverna,
A voz do profeta que a Deus responde,
Diz seu nome e à entrada dessa,
Vai depressa por ser ele homem.

- Com sua sede de sangue e de almas,
Deus perde a calma e manda anjos
Executarem seus planos sem cometerem falhas
E bate palmas ao dizimar milhares de humanos.

- Deus complica a situação da escrita
Quando dita aos que escrevem os livros sagrados
O número do povo contado e também modifica
O nome da eira que habita e os siclos pagos.

- Deus afirma que habitaria nas trevas.
Nessa hora se revela que há laços com o Diabo.
Eis o povo condenado, não há brechas,
Nem janelas. Ambos estão do mesmo lado.

- O senhor exige a humilhação do povo.
Seu caráter rancoroso nunca passa.
Ele faz ameaças o tempo todo.
Como um louco, ele sempre mata.

- Deus faz uma reunião com o Diabo
E os alados do inferno e do céu.
Qual será cada papel desempenhado.
Um nome ali é citado, o de um homem fiel.

- Contudo, Deus autoriza ao Diabo,
Massacra-lo sem o ferir fisicamente.
Duramente é o fiel prejudicado;
Arruinado, mantém a fé existente.

- Outra reunião é marcada com o Diabo.
Nessa, ele é autorizado a feri-lo como entenda.
Uma doença é lançada no coitado.
“Não matá-lo, deixe que ele a mim ofenda”.

- Entretanto, Deus não obtém bom resultado.
O fiel é tão fanático que dá glória.
Uma história de um homem alucinado
Que ferido e arruinado não se revolta.

- O povo se revolta contra o Rei.
Desta vez, é por Deus abandonado.
Desesperado, vem a dúvida na lei
Que Deus fez para consolá-lo.

- Ainda tem um fio de esperança,
Que haja lembrança em Deus
E os inimigos seus mantidos à distância.
Na infância, Deus o chamou de filho meu.

- Entre a sanidade e a demência,
O Rei pensa em fugir, mas não pode.
Seu desespero eclode na sua impaciência
Pela ineficiência do Deus nobre.

- O Rei perde a esperança no Senhor.
Indignado ficou, por Deus não fazer nada.
Sua voz já agastada por tanto que implorou.
Mais uma vez tentou, não há resposta dada.

- O Rei chama Deus de injusto,
Impassível e surdo por não aparecer.
Tem medo de morrer e esconde-se no escuro.
Deus permanece mudo, não vem lhe socorrer.

- O homem é comparado com um animal,
Menos mau, aqui se nega a coroação.
Nesta visão, difere por ser racional;
O que é real dentro da evolução.

- O pregador afirma que os mortos
Em seus ossos, não têm consciência
E nem recompensa, ciência ou remorsos;
Pois os mortos estão mortos, é ciência.

- O pregador nega a vida após a morte.
Nossa sorte é gozar essa vida.
Não há sabedoria, não há obra nem suporte
Pra quem morre. Só existe essa vida.

- Deus dita mitologia ao profeta que escreve;
Então se refere a serpentes, monstro marinho e dragão.
Essa fértil imaginação ao homem fere,
Numa crença que excede a razão.

- Deus, a gafanhotos, os homens compara.
Como praga que multiplica dia-a-dia.
Com ironia diz povinho ou bichinho quando fala;
Mesmo assim não apaga do povo a energia.

- Deus assume que cria as trevas e o mal.
É real sua atitude e empáfia.
Uma máfia do sobrenatural,
Desleal com aquele que lhe agrada.

- Leva Deus, para as trevas, o profeta.
Sua meta alcançada afasta-o do bem.
Vai além, quando à esperança afeta.
O profeta lamenta envelhecer também.

- Aos profetas que seguem o próprio espírito,
Deus deixa dito que os condena.
Um nome próprio inventa e deixa escrito
Que é bendito aquele que não pensa.

- Em sua aparições, confunde os humanos
Com seus próprios sonhos. E quando estes sonham,
Enganam-se e afirmam que foi a mando
De anjos que em nome de Deus cantam.

- Um anjo aparece e a multidão foge em pânico.
No entanto, um homem permanece
E na sua prece ele diz que a multidão não viu o anjo.
Portanto, o peso do medo cai sobre sua pele.

- O Senhor é um ser pervertido.
Escuta o que eu digo, ele incita o adultério.
Diz sério: “Ama a mulher de teu amigo.”
Não se mostra arrependido, é seu império.

- Deus é extremamente perverso e sem receio,
Ao meio promete abrir as mulheres grávidas;
Sem lágrimas, despedaçar o povo inteiro;
Sem ter medo que apontem suas falhas.

- Com sua sede de poder, Deus ameaça matar
Sem hesitar, a todos os príncipes e juizes
E depois admite ele mesmo determinar
A maneira de pensar, daquele que existe.

- Um homem sobrevive dentro de um animal,
O qual o engoliu por ordem de Deus.
O homem percebeu que o Senhor era mau.
Eis que o tal diz: “Te arrependas do mal, Deus.”

- Deus compara a eternidade com o tempo antigo.
Extermina os inimigos em vez de aprisioná-los
Ou torná-los escravos para seus amigos.
Mas por ser vingativo, deseja matá-los.

- O homem pede a Deus para que na ira,
Reflita e pense na misericórdia.
Pela sua glória não precisa que fira
O homem que grita e que chora.

- Uma pedra é erigida junto ao santuário,
Está claro que é apenas simbologia.
Deus queria que o testemunho fosse lembrado.
Depois diz ser pecado qualquer simbologia.

- Deus tem uma mente doentia e perigosa.
Faz que gosta, trata bem todo o povo.
Mas um outro pensamento ele mostra,
Em resposta ao bem, faz o mal, a seu gosto.


O renovo

- Tomou as enfermidades de seu povo sobre si.
Eis aqui um ser humano de coragem.
Sua imagem, ninguém deveria discutir.
Rei ali, o pôs Deus por vontade.

- Um menino nasceu e sobre seus ombros,
Com poucos anos estará o principado.
Mas cuidado, dentre tantos,
É sem encantos e pelo homem rejeitado.

- É ungido por Deus através de um humano,
Poucos anos de idade elevado a Rei.
“Eu hoje te gerei”. Disse Deus. No entanto,
nos seus últimos anos eu o abandonarei.

- Deus fala ao homem do seu servo, o renovo.
Que a seu olho parecia desfigurado,
Um coitado, sem formosura ou beleza no rosto,
Escondiam-se todos. Era um Rei desprezado.

- Ninguém, dele, fazia caso algum.
Era um, entre todos o mais indigno.
Era um homem sofrido, como ele nenhum.
É mais um trabalhador assíduo.

- Depois de ter sido tirado do juízo, deposto
Por seu povo. Porém, foi morto por Deus
Que o adoeceu e sentiu muito gosto.
De desgosto, o Rei, triste, morreu.


O híbrido

- O homem fala de um espírito mau,
Que o tal vinha da parte de Deus;
Um dos seus, da cidade infernal.
Afinal, uma ordem que o Diabo atendeu.

- Deus ordena que matem até os bebês.
Desta vez, o Senhor vai longe demais.
Nunca mais, a Deus eu perdoei.
E vocês, como dormem em paz?

- Na aposta que Deus fez com o Diabo,
O melhor resultado foi o híbrido.
O seu filho com uma virgem gerado
Para salvar do pecado o que é proibido.

- Eis que o lado humano desse híbrido
É movido pelo mais puro amor.
Já o lado do Senhor é apenas castigo,
Egoísmo, muita raiva e dor.

- Quando a parte do pai sobrepuja no híbrido,
Esse diz: “Os inimigos serão teus familiares”.
Os milhares de anjos no céu, gritam
E incitam seu complexo de inferioridade.

- Quando a parte humana sobrepuja no híbrido,
“Perdoai o inimigo e honrai mãe e pai.
Peço mais, misericórdia e não sacrifício,
Vem comigo e dar-te-ei muito mais”.

- “Sou filho do homem”, diz o híbrido.
“Não proíbo, pois sou o senhor do sábado”.
“É ousado e bastante atrevido”.
Diz, sentido, o Deus adorado.

- Manda o Diabo atentar o próprio filho.
Enquanto isso, leva-o para as mãos do Diabo.
Porém, o resultado não é o previsto.
E o Híbrido resiste ao danado.

- Porém, Deus não desiste,
Nos engana e insiste com o Diabo.
O seu filho, coitado, persiste.
Mas não sobrevive, por estar desse lado.

- Eis que chega o momento macabro.
Deus e o Diabo observam o Híbrido.
Eis que o filho grita ao pai, revoltado.
Por ter sido abandonado, diz isso.

- Por ser filho do homem, é humano.
Portanto, considera seu pai, a humanidade toda.
Quando diz: “Perdoa”, ele descobre o plano.
Deus comete um engano contra aquela pessoa.

- “Eles não sabem o que fazem”,
Termina a frase o condenado.
Eles são Deus e o Diabo. Que pasmem,
Que não se matem, somos todos condenados.

- Eis que o híbrido é ressuscitado
Por Deus e o Diabo, como eu fui.
Sua luz deixa o mundo espelhado.
Seu recado é um engano que seduz.

- O híbrido promete um dia voltar.
A humanidade continua a esperar esse dia.
Não há harmonia, todos vivem a brigar,
Só pensam em ganhar com essa mercadoria.

- Quem sabe, Deus permita que o híbrido volte.
Porém sua sorte poderá está selada
E sua palavra seja somente morte,
Sua ordem seja sempre, mata.

Acabo o sermão desço do púlpito
Enquanto o público, em silêncio, pensa.
Não é ofensa, o meu discurso.
Eis o curso de nossa crença.

Não sei se os fiz entender ou os confundi.
Dali, parti sem saber se o melhor é crer
Ou descrer, depois de tudo que vi.
Eu nada ouvi. Não tinham nada a dizer.

Continuo com o intuito de prosseguir
E instruir todo aquele que encontrar.
Chego a um lugar que há pegadas a seguir.
Não temo ir, nada temo enfrentar.



O livro

Saio em peregrinação pelo deserto.
Decerto eu encontro uma outra religião
Com alguma alteração do que era certo,
Um livro aberto a uma outra nação.

Fui ao céu, vi o inferno e volto a terra.
Minha meta é a Deus desmascarar.
Vou decifrar esse livro que encerra,
Peça a peça, sua maquiavélica maneira de pensar.

Dessa forma, sou como um novo mensageiro,
Um estrangeiro que começa ao povo falar.
Queira então me escutar o mundo inteiro,
Sou primeiro que a Deus teima enfrentar.

Abro o livro e começo a decifrar,
Sem pensar no que vai acontecer;
Se o povo irá entender ou se calar.
Vou tentar, pois preciso esclarecer.

- Deus reconhece que aquele que não crê
É mais ávido de viver que o fiel.
Por não alvejar o céu, busca ter
Uma vida de prazer e de mel.

- É escolhido um mensageiro para expandir a fé.
Ele é o fundador dessa outra religião,
Diz então tudo aquilo que Deus quer.
Pro que der e vier, diz a nova lição.

- O Diabo não pode tocar num humano
Sem o mando e anuência de Deus.
Eis que os seus sofrimentos e danos,
Pelos anos, tem o dedo de Deus.

- Sela Deus o ouvido daquele que duvida,
Põe morbidez na vida e o coloca nas trevas.
Entre velas à pessoa que castiga,
Impinge dor e intriga dentro dela.

- Escarnece de um humilde povo
Em preferência a outro que também despreza.
A intriga ele preza, é afoito.
Pois põe um contra o outro e não nega.

- Nenhuma alma advogará por outra,
Nem socorra seu amigo, eu proíbo.
O homem negar o livro, não perdoa.
Não é à toa que incentiva o suicídio.

- Chama ao ser humano de símio,
De suíno, por não acreditar.
Deus quer nos castigar, no mínimo,
Por seu domínio nos ver penar.

- Dita ao mensageiro que toda religião
Em sua ocasião será recompensada.
De uma rês sacrificada, um pedaço na mão,
Levanta os mortos do chão, é uma piada.

- Tem que pagar a Deus uma quantia
Que já havia na outra religião.
A maldição de Deus caía
Sobre aquele que não cria na salvação.

- Imponha pedido de resgate
Por parte do povo que domina,
Deus determina. Os prisioneiros terão liberdade,
Na verdade, essa prática ele ensina.

- Deus diz ao peregrino mensageiro
Que o livro é verdadeiro e lícito.
Porém, que um versículo pode ser retirado inteiro,
Se um melhor que o primeiro puder substituí-lo.

- Deus dita ao mensageiro sua nova opinião
“Eis aqui minha religião... sigam-na e não aos pais
E ainda mais, o castigo sobressairá ao perdão.
E porei então à prova, os rivais”.

- Mediante o temor, a fome e a perda dos bens
E também a perda da própria vida,
Aos agressores, ele dita: “Matai-os também,
Que ninguém saia com vida”.

- A perseguição é mais grave que o homicídio,
Diz o livro. Temam ao Senhor
Que com seu rancor é severíssimo no castigo
E em seu dito, não há perdão nem amor.

- Deus engana com inteligência ao povo,
Diz fiquem com pouco, gastem seus bens.
Se nessa vida tem necessidade para o corpo
No outro mundo sua recompensa vem.

- Deus condena ao mentiroso com maldição.
“Sua nação é a melhor que surgiu”.
Eis a mentira que ouviu na peregrinação
O então mensageiro. Deus se repetiu.

- Faça o bem ou faça o mal,
Deus é apenas um animal com força plena.
Ele diz que não condena, que o normal
É que o homem faz o mal e se condena.

- Deus treina seus anjos para a guerra
Na terra, contra o ser humano.
Eis um plano que não nega.
A maldade eterna de um Deus mundano.

- Deus, ao mensageiro deixa dito:
“Que o livro é uma declaração à humanidade,
Que na realidade infundo o terror maldito
E aniquilo quem não segui-lo de verdade”.

- Deus faz todo o povo dormir
Para poder ferir a sua razão.
Enganar com a salvação e prosseguir
Fazendo o povo seguir para a execução.

- Deus cita ao mensageiro para tolerar
Quem não trilhar suas pegadas.
Pois suas faltas vão aumentar
E asseverar o castigo às suas almas.

- Libera Deus, o casamento entre irmãos.
Com suas mãos desfigura os rostos humanos,
Com seus anjos dilacera o coração.
Não há perdão dentre seus planos.

- “Introduzirei no fogo, o que não crê nessa religião,
Como lição, e cada vez que sua pele queimar
Outra vou criar para ter ele a mesma sensação
E nessa repetição, sua dor intensificar”.

- Deus prescreve ao povo, a luta;
Desculpa por ser o gozo da vida transitório.
Para o próprio povo não é culpa,
Pois é Deus que usa o seu ódio.

- Tudo de ventura, diz Deus, é de mim.
Tudo que é ruim vem do ser humano.
Eis o plano: É melhor o fim
Num jardim lotado de anjos.

- “Capturar e matar,” eis de Deus, o conselho.
“Eu concedo maior dignidade àquele que sacrifica
Seus bens e sua vida por meu zelo.
Desprezo, àquele que comigo implica.

- A mando de Deus, o Diabo jura obedecê-lo.
Ao fazê-lo, se apodera de uma parte dos humanos.
Em seus planos, Deus mente ao mensageiro:
“Poderia fazê-lo desaparecer com todos os humanos

E substituí-los por uma outra espécie”.
- Em que tese, Deus se basearia?
Pois só semearia. O acaso, a que serve?
Formar uma nova espécie que a ele serviria.

- Deus dita ao mensageiro como revelação,
Que foi simulação a morte do híbrido.
Que não era seu filho e sim um homem são
Com a mesma intenção do mensageiro, ser entendido.

- Deus dissemina a inimizade e o ódio
Entre os próprios homens da outra religião.
Se somos de sua predileção, por que o próprio,
Com seu opróbrio, nos castiga em vão?

- Prega Deus, a tortura como aviltamento,
Que cruel pensamento. Deus nos apavora,
Nos enche de história a todo o momento,
Ver nosso sofrimento é tudo que mais gosta.

- Deus proíbe perguntas melindrosas
Que seriam perigosas para o indagador.
Seu temor é que as suas respostas,
Mesmo supersticiosas, tenham som denotador.

- Reconhece Deus a coragem dos humanos
Que ante o ato insano de chicoteá-los
Para castigá-los, não resultando
Como seu plano, vê-los humilhados.

- Se tivesse o Senhor enviado um anjo
Teria forma de humano. Por isso ele convenceu
A um que homem nasceu, seguir seu plano,
Levar aos humanos a crueldade de Deus.

- Para os homens esquecerem as admoestações
E privações, Deus lhes dá prosperidade.
Quando a felicidade alcança as suas emoções,
Deus impõem um extermínio covarde.

- Destruirei injustamente as cidades, diz o Senhor
Em seu furor, depois de avisá-los.
Seus comentários se tornaram sem valor
Quando atacou de surpresa, à noite, seus adversários.

- Deus mandou mil anjos como reforço
Para um povo vencer o outro e dominá-lo,
Mantê-lo escravo e exterminá-lo, cavar um fosso
E sem desgosto, friamente, enterrá-lo.

- O povo suspeita que o livro seja apenas fábula
E ao mensageiro fala: Se Deus existe,
Por que insiste em nos poupar. E cala.
“A resposta é clara”, o mensageiro disse.

- É impensável exterminar a todos,
Tampouco, dessa forma os castigar.
Enquanto puderem implorar aos poucos,
Feito loucos, pelo perdão que não virá.

- Reconhece Deus que os incrédulos têm
Além de calor humano, coração.
Eis que dão proteção a quem não tem,
E também, a quem tem fome, pão.

- Deus não aceita do incrédulo, caridade.
“É má vontade”, diz em sua arrogância.
Ignorância, por saber que é de verdade.
Talvez, quem sabe, a do fiel seja ganância.

- Não admite Deus, que alguém peça perdão
Nem mesmo a seu irmão, se este for incrédulo.
Eis o inferno de Deus em sua mão;
Irmão contra irmão, eis seu sucesso.

- Os anjos celebram Deus, não por amor;
Mas por temor. Imagine os humanos,
Milhares de anos, e ainda o terror
Que Deus criou; ao homem usando.

- Um animal foi abatido pelo povo
Em seu desgosto por havê-lo proibido.
Deus tão sentido, fulminou o povo todo.
Coisa de louco, todo um povo por um bicho.

- Eis que o livro foi por Deus elaborado,
Nem o Diabo poderia tê-lo escrito.
É impossível que alguém do nosso lado
Fosse tão bem informado sobre esse Deus maldito.

- Todo aquele que prefere a vida terrena,
Deus condena. Pois para ele o ideal é o céu.
Como folha de papel em chuva amena,
A alma pena tanto no inferno quanto no céu.

- Cingirei os homens com correntes,
Diz demente, o misericordiosíssimo Senhor.
Seu terror chega a ser indiferente,
Por querer ver toda a gente com pavor.

- Atearei fogo em seus rostos,
Sem remorsos, Deus ameaça.
Entre fumaça e corpos decompostos,
Pisarei neste solo de desgraças.

- Deus ordena a seu servo, o Diabo,
‘Vai-te lá embaixo e seduze com tua voz
E veloz com tua cavalaria aturde os safados,
Quero vê-los apavorados e sem voz.

- Associa-te a eles nos bens e nos filhos,
Depois disso, faze-lhes promessas, senão quimeras
E com essas, não terás, autoridade ou compromisso;
Por isso, basta-me para guardião delas.

- Deus cita ao peregrino mensageiro:
“Jamais tive parceiro em minha soberania.
Não haveria filho algum como herdeiro,
Sou único e primeiro, se houvesse o mataria”.

- Um jovem é friamente assassinado
Por um servo fanático, a mando do Senhor.
Seu temor era que o jovem induzisse aos pais amados.
E ele desacreditado, diminuísse o seu valor.

- Deus é um ser desprezível quando fala:
“Na hora exata vou fazer as gestantes abortarem”.
É assim que agem os que são psicopatas.
São inocentes almas que ali partem.

- Deus em sua sabedoria, dá um péssimo conselho
Através do mensageiro, não se importa:
“Pendure uma corda no teto, por primeiro.
Depois, ligeiro, se enforque sem demora”.

- Em sua insanidade, promete Deus,
Na cabeça dos ateus derramar água fervente.
As entranhas dessa gente e todos os corpos seus,
Derreterá Deus, e manterá com um ferro quente.

- Deus faz aos que o seguem, promessas falsas.
Diz enfeitar suas almas com pulseiras de ouro e pérolas
E que elas terão vestes de uma seda rara.
Deus faz piada com coisas sérias.

- Não respeita a mulher como um ser humano.
Em seu engano, Deus a maltrata.
Cobre sua cara com véus e o corpo com panos.
Fala do corpo humano, um atrativo que agrada.

- No momento da morte, Deus às almas, recolhe
E escolhe, durante o sono, as decretadas à morte.
As mais fortes são deixadas à sorte.
Como pode semear a vida e pulverizá-la com a morte.

- Deus faculta aos homens, a guerra;
Para com ela serem provados mutuamente
E incita sua gente numa batalha eterna.
Golpear aquele que nega, no pescoço, severamente.

- Considera Deus, a vida terrena, jogo e diversão.
Tudo em vão, mútua vanglória e veleidades,
Rivalidades quanto a bens e filhos. Então,
Sua criação tornou-se realidade.

- Deus expatriou os incrédulos, os açoitou
E infundiu o terror em cada coração.
Com a própria mão, cada incrédulo derrubou
A casa que um dia edificou, no chão.

- Tudo que é tomado dos moradores das cidades
É dado por caridade ao mensageiro.
Entre jóias e dinheiro, Deus em sua piedade,
Enriquece por bondade, seu mensageiro.

- O fogo é guardado por anjos inflexíveis e severos.
O exército de Deus, jamais desobedece a uma ordem;
Não importa os que sofrem, são enérgicos,
Soldados intrépidos que não morrem.

- O pecador será manietado e introduzido na fogueira;
Enquanto queima, carregará uma pesada corrente.
Nenhum amigo à sua frente, só sujeira.
Dessa maneira comerá excremento de gente.

O Altíssimo é adorado por aquela gente sofrida.
Não há ferida que esse povo não suporte.
Profundo corte numa adoração em vida.
Coisa esquisita buscar Deus até a morte.

Se ali ficasse eu seria decepado.
O meu pecado era por falar de Deus.
Os olhos seus pareciam desfocados.
Povo fanático, desconhecia o que perdeu.

Dali parti, a procura de um povo mais moderno
Que do inferno gostaria de escapar
E acreditar que o céu por ser eterno,
Tal qual o inferno, não teria como voltar.

Depois de viajar por muitos anos,
Em meio a enganos, encontro um lugar.
Eis a falar, alguém, de planos,
Que os humanos não devem confiar.


Tomo VI

Os últimos dias

Nos últimos dias de um ano distante,
Estive diante de alguém que pregava.
Ali me tornara um seu semelhante.
Dali em diante, suas placas, eu revelava.

Em meio à praça eu falo em voz alta
Aquelas palavras que havia nas placas.
Porém forjadas por aquele que falara
E enganara a quem lhe acreditara.

- Um jovem é incitado e constrangido
Por um espírito, a mando do senhor.
Seu furor, em seu mando, foi cumprido.
O jovem envaidecido a um homem matou.

- Um jovem teme que o Senhor o fira
E a sua família também;
Então diz amém, todo dia.
De nada servia, Deus não perdoa ninguém.

- Deus deixa nas placas gravado seu ódio.
“Perante seus olhos, suas crianças serão despedaçadas,
Suas casas saqueadas, suas mulheres eu violo,
Sem remorso cumprirei minhas palavras”.

- “Meus arcos aos mancebos despedaçarão,
Não se compadecerão do fruto do ventre,
Nem uma criança à sua frente meus olhos pouparão,
Eis a razão para me obedecer toda a gente”.

- O senhor tenta desvirtuar a confiança
E tirar a esperança é seu plano.
“Maldito o humano que tem confiança
em outro. Pois se lança no engano”.

- O ódio de Deus pelo homem é revelado:
“Meu trabalho ainda não o terminei.
Minha lei é que o homem seja exterminado.
Meu recado é que chegará a sua vez”.

- Deus fere os humanos com terrível espanto e medo;
Revela um segredo que o homem natural é seu inimigo;
Ameaça com o castigo da fome e peste; para temê-lo.
Eis o seu erro, o homem já tem tudo isso.

- Atinge um homem que nega a existência do seu filho.
Derruba seu inimigo por terra com um raio.
“É claro que em seu filho eu acredito”.
Diz quase sem sentidos o homem espantado.

- Por ordem de Deus, o Diabo induz aos humanos;
É seu plano fazê-los não acreditar que ele existe.
O Diabo então insiste: “É engano,
Vocês humanos acreditarem que ele existe”.

- Aqueles que começarem a descrer,
Poderão ver que o mundo será melhor.
Muito pior é o medo de perder
O céu, porque o pecado é maior.

- Assim a humanidade ficará só,
E por ser só, começará a entender.
Que é preciso não crer para ser melhor
E ter de cor que a vida é para viver.

Calo-me e observo ao meu redor,
Que foi bem menor a minha rejeição.
Enquanto se dispersa a multidão, caminho só.
Foi bem melhor essa minha atuação.

Dias depois, num lugar dali distante,
Sou visitante e procuro me inteirar
Da religião que há, com um habitante;
Homem interessante que gostava de falar.

Estudei o que ele analisava.
Uma farsa ensaiada pelo Senhor
Por temor que o mundo que manipulava,
Agora tentava livrar-se de um libertador.

Através de uma palestra eu revelo o que acontece.
Que Deus tece um plano astuto
E que tudo não passava de um teste.
Minha tese é que parecerá um estudo.

A platéia fica muda ante minha explanação.
A revelação de mais uma trapaça,
A qual passa como uma religião.
Ai vão minhas palavras.


Os espíritos

- Vendo que a descrença o prejudicava,
Deus num acesso de raiva tem uma nova idéia.
Encarrega o Diabo de pô-la em prática.
A sua tática foi usada na estréia.

- Liberou algumas almas para a terra.
Nessa época o fenômeno começou.
O Diabo ordenou: “Façam uma festa”.
Nessa festa muita mesa então dançou.

- O humano que só via sua mesa a se mover,
Por não entender, começou a investigar.
Ao perguntar o que queria saber,
Começou a responder quem podia explicar.

- Os espíritos falam em grau de perfeição.
Uma invenção de Deus para enganar.
Vejo o povo, devagar, aceitar a nova religião.
Vejo então o Diabo os penetrar.

- Há espíritos imperfeitos, inventa o Senhor;
O impuro, perturbador, leviano e sem dons,
Há os bons, superiores e puros de amor,
Os anjos de valor são espíritos bons.

- Os espíritos negam a existência do Diabo.
São escravos do mal, mas podem elevar-se.
Esse impasse só depende de trabalho;
Que cada humano deste lado, por eles lutasse.

- Deus impõe a encarnação para chegar a perfeição,
Expiação ou missão. Eis que à terra há de voltar.
E ali vai depurar e ter uma transformação.
Acontece a reencarnação, tenta Deus nos enganar.

- Nova crença o Diabo pôs-se a implantar.
O homem a perguntar, o espírito a responder.
Pôs-se o homem a escrever e anotar.
Eis um livro popular para se vender.

- Tornei-me um adepto dessa crença.
Sem ofensa comecei a procurar,
Como também desmascarar, sem ter licença.
Mas me entenda, é preciso demonstrar.

- Pois já não há mais lugar
Para abrigar tanta mentira.
Deus não mais enganaria. Se eu tentar,
Posso até desmascarar o ser que os oprimia.

- Os espíritos dizem ser criação de Deus,
Que são seus e pertencem a outro lugar.
Vêm a terra e vão voltar para os seus.
No entanto, Deus, os virá enfim, buscar.

- Não há volta ou renascimento
Sem o consentimento divino.
Um espírito subindo ou descendo,
O seu plano terreno ainda não está findo.

- Continua Deus mentindo, pois há fuga.
Sua desculpa é que não estamos sozinhos
E que pelos seus caminhos não há culpa.
Arapuca para pegar de mansinho.

- O espírito engana dizendo
Que podemos voltar muitas vezes à terra.
Nisto, encerra o que Deus vem querendo.
Eu entendo o que ele espera.

- Eis que os anjos disfarçados de espíritos,
Deixam dito que há outros mundos.
Pisam fundo em nossos sentidos,
Por capricho, que seres imundos.

- “Esses mundos também são matéria”.
Que pilhéria pensa nos incutir.
Ao mentir, busca nossa miséria.
Como é séria essa forma de agir.

- Então, diz o espírito, que jamais se engana.
Assim manda Deus, seu superior.
Diz: “De dor o espírito reclama
Na lembrança do que já passou.”

- Deus através de anjos disfarçados de espíritos,
Diz que é preciso morrer para ter a alma livre.
É triste ter os seus entes queridos
Perdidos, e ainda escutar essa tolice.

A platéia se empolga e bate palmas.
Algumas vaias dos mais iludidos.
O mundo não está perdido, tem suas falhas.
São as malhas de anjos pervertidos.

Assim, sigo o meu caminho a outra parte.
Eis que arde minhas costas sob o lençol.
Um deserto que é um paiol em sua face.
Sendo que à tarde, é intenso o sol.

Anos a fio pesquiso uma doutrina.
Minha pele ainda se sustenta.
O sol arrebenta, mas a vida ensina.
E minha sina é que o mundo aprenda.

Faço um sermão numa montanha.
O povo me acompanha em silêncio.
Como um incêndio em uma cabana,
Minha voz assanha o fogo ardendo.

Maculo uma tradição que os iludia.
Ainda é dia e percebo o agravo.
Porém, o meu recado será dado; pois sou guia.
Minha agonia é ver o mundo condenado.

Elevo minha voz aos mais distantes
E nesse instante assim eu principio.
Um desafio entre formiga e elefante.
Deus um gigante, eu, um pavio.


Os veículos

- Há um antigo entendimento
Que trás em seu ensinamento uma tradução;
Estamos em missão de treinamento
E que por dentro somos a encarnação.

- Deus nos considera veículos da alma,
Que a gente se acaba e a alma é eterna,
Que um tempo na terra ela passa.
Nosso corpo uma casca que se revela.

- Deus inverte o sentido das palavras.
Diz que as almas representam o bem,
Que também tem suas falhas,
Que os corpos são cascas e só o mal, têm.

- Ao contrário, o que herdamos de Deus, foi o mal.
Ao inverso do tal, nosso corpo é matéria do bem.
Aprendamos também que é letal,
Uma alma imortal no além.

- Pela impossibilidade de compreensão dos humanos,
Em seus planos, Deus proíbe sobre ele falar.
Tenta acobertar o eterno engano
Que um humano já pôde alcançar.

- Sobre a essência do criador todo poderoso,
Arrogante e orgulhoso, não se pode falar
Nem ao menos pensar. Eis um plano ardiloso,
Um vírus insidioso criado para atormentar.

- Só através dos desejos de Deus,
Dizem os seus, é que podemos conhecê-lo.
Meu conselho é que quem já morreu,
Na mão de Deus, sofreu sem percebê-lo.

- A alma é parte da essência divina,
Ela não finda, dizem os seus.
Eis que Deus como erva daninha
Se aninha para destruir os meus.

- Deus mantém a existência do mal.
Como o tal, quer acabar com o bem
Que não tem, posto ser um letal
Animal que não pensa em ninguém.

- Deus sustenta e preserva o mal.
Afinal, está fora dele próprio, o bem
Que só o homem tem por ser carnal.
Eis que a parte material é o bem.

- Os que seguem ao Todo-poderoso
Que orgulhoso diz ter, fora dele, criado
Os dois lados, um do outro é oposto,
São os tolos que acreditam em pecado.

- Para manter-se separada do Todo-poderoso,
A alma tem o corpo. Há diferença de forma.
Eis a prova que tem o astucioso
Que não está disposto a aplacar sua cólera.

- O universo material é evoluído,
Eis o corpo físico natural.
O mal é a raiz do Altíssimo,
Enquanto o veículo é o ser material.

- O Todo-poderoso em sua suprema perfeição,
No ápice de sua criação, implantou uma semente,
Uma alma inconseqüente com toda a imperfeição.
Sabia de antemão como seria a gente.

- Sabia das danosas conseqüências,
Pois suas más tendências herdaríamos.
Achou que levaríamos a sua indecência
E a sua impertinência ao subirmos.

- A sua criação foi fora de propósito.
Seu servo, quase sócio, o Diabo,
É fruto do acaso, de Deus herdou o ódio.
O próprio Deus deixou-nos ao acaso.

- Criou o mundo com planetas isolados,
Com cuidado espalhou as suas almas.
As almas na matéria germinaram.
Eis que no resultado tiveram falhas.

- Todas as criaturas despertaram um lado bom,
Um dom herdado da matéria.
Deus ficou uma fera por ser o homem bom.
Contra esse dom, ele pôs a morte eterna.

- Dessa forma, a nossa alma é parte do senhor.
Todo o seu furor e maldade, dele herdamos.
O pouco que ainda desfrutamos de amor
Foi o que resultou do seu engano.

- O bem nunca esteve contigo.
No pervertido Deus supremo.
O pouco que nós temos é motivo
Para deixá-lo enfurecido e fervendo

- Enquanto o corpo físico não estiver decomposto,
O nojo do Todo-poderoso não permite acolher a alma.
Sem calma, ele a mantém, com esforço.
Por seu gosto, todo o bem, dela tirava.

- O Todo-poderoso não pode dar às almas
A rara plenitude do prazer.
Tiveram que nascer embrionárias.
Com a matéria untadas para poderem viver.

- O corpo físico está condenado a morrer
Pelo seu bem querer, e para Deus manter
Em seu poder a alma sem prazer.
O bem tem que perder e o mal vencer.

- Não somos tão insignificantes.
Talvez sejamos gigantes por enfrentar
O altíssimo em seu altar, desafiante,
Que a todo instante, insiste em nos ameaçar.

- O homem assemelha-se ao Senhor
Na falta de valor e no eterno mal.
Em seu estado final, mesmo tendo amor,
Seja como for, a alma o destruirá por total.

- Quando o bem for consumido da terra,
A morte eterna será tragada.
A alma terá que destruir de sua parte externa,
A bondade que nela for encontrada.

- O mal é o aspecto da alma.
O bem que acalma é o aspecto do corpo físico.
Por isso, a matéria tem que ser deteriorada
Para só restar a alma, a maldade do maligno.

- O Todo-poderoso teoriza
E o homem acredita sem questionar.
“Os fiz para torturar e sofrer na vida
para ser removida a maldade que restar”.

- O bem surgiu pelo acaso, espontaneamente.
Deus quer removê-lo radicalmente do universo.
Decerto o transformará no mal que sente.
Com o bem ausente, o mal será eterno.

- Nossa essência é a de tudo que existe,
Resiste para não ser esquecida
Na outra vida, onde o corpo não existe.
Deus insiste em não nos dar saída.

- O aspecto mal da alma humana,
Engana e macula o corpo físico.
Com isso, a matéria humana,
Nesse drama, de ser extinta, corre risco.

- O bem será removido totalmente
E conseqüentemente o sistema de prazer, o corpo.
O outro, que ao mal representa, durará eternamente.
Então, para sempre, nosso mundo será oco.

- Essa linha de pensamento nunca fora revelada
À geração passada, ante sua ingenuidade.
Na verdade, só agora demonstrada
Para mentes acostumadas com novidades.

Calo-me enfim, e todos que me ouviam
Saiam lentamente, discretamente.
Olhavam friamente, os que não sabiam
Que teriam que mudar urgentemente.

Eu desço do púlpito do qual falava.
Sozinho caminhava pela rua.
A lua no céu já despontara.
Jamais imaginava rever a criatura.

Eis uma luz intensa que me cegava.
Talvez fosse uma entrada ou um portal de tempo.
O vento era tão forte que puxava,
Meu corpo vacilava, também meu pensamento.



O encontro

Começo a divisar uma enorme sombra,
Já não mais me assombra, o reconheço.
Seu rosto não esqueço, eis que me chama
“Sólio, por onde andas”? Eu estremeço.

“Sólio o que pensas estar fazendo,
Ao mundo esclarecendo quem sou eu.
Sólio, sou eu, ouça o povo me querendo.
Na hora que estão morrendo chamam por Deus.”

“O mundo teme a mim e ao Diabo,
Este, claro, é um velho serviçal.
Teme o mal e também ser condenado
Pelo ato do pecado que foi um golpe genial”.

“Sólio, o Diabo é um mal necessário
Enviado para contrabalançar o mundo
Que iria para o fundo do abismo sem um emissário
Que fosse cravejado para salvar esse mundo.”

“Imagine, Sólio, um mundo sem guerra.
A terra povoada de humanos
Que não fariam planos para uma nova era,
Uma era entre Deus, o Diabo e os anjos.”

“Como, na hora do desespero,
Enfrentariam o medo sem Deus.
Eis que eu sempre os fortaleço
E nunca esqueço se uma alma se perdeu.”




“Sólio, tudo gira em torno de meu nome.
O ser humano come em minha mão.
Acredita ser coroação, e some
Toda a dúvida como a fome ao comer o pão.”

“Sólio, veja todas as desgraças.
Tudo passa, até mesmo sua dor.
Todo esse amor de tua raça,
Acaba numa alma sem valor.”

“Sólio, tudo que acontece de ruim,
Até o fim, culpam o Diabo.
Ou sentem-se culpados, é sempre assim,
Pedem a mim, os condenados”.

“Não queiras tirar a crença dos mortais,
Isso é demais para as suas cabeças.
Esqueças ou jamais terás paz
E nunca mais, uma cabeça.”

“Sólio, onde fica a esperança
Se uma criança descobrir que não se salva.
Sua alma não terá nenhuma lembrança.
A sua infância talvez seja muito amarga.”

E nessa hora interrompo sua fala.
Eis que se cala Deus, enquanto falo:
- Quero um trato; uma mão à outra lava.
Com o olhar me afasta, assim me calo.

“Agora fala o que queres me propor.”
- Senhor a eternidade é muito pouco.
Eu quero um corpo que sinta dor,
Que sinta amor, quero ser louco.

- Eu quero ser humano, um mortal
Com o bem e o mal no coração.
A emoção de ser um animal
Que é racional sem ter razão.

- Prefiro viver por poucos anos.
Mas, fazer planos e realizar
O que desejar, mesmo em sonhos.
Estranho, isso o anjo também desejar.

- Quero enxugar as lágrimas em meu rosto,
Sentir meu corpo ao mergulhar.
Quero tocar a face do oposto,
Sentir o gosto com o paladar.

- Quero brincar, me madurar, envelhecer.
E jamais crer em tua salvação.
Quero o perdão para aquele que viver
A ti entreter com oração.

- Desejo que um dia seja escrito
Um livro com a minha triste história,
Em memória de um homem fictício
Sem compromisso com sua glória.

- Quero esquecer de tudo até agora
E ficar fora desse absurdo.
O meu futuro deixai para a minha hora.
A minha hora que seja do acaso, fruto.

Deus então, como sempre, se enfurece.
Em sua ira esquece o perdão
E sua mão ele estende a mim, o herege,
E exerce a sua maldição.

“Serás mortal então, está de pé a proposta.
Porém em resposta, não terás mais lembrança
De tua infâmia passagem pela terra oposta.
Já que tu não gosta de minha instância”.

Como se uma nuvem levasse minha memória recente;
Não relembro o presente, nem que um dia morri.
Eu de tudo esqueci, era um inocente,
Um novo ser vivente que não sabe o que diz.

O que faço aqui? Eu indago a mim mesmo.
Que enorme segredo tem em minha cabeça?
Antes que eu esqueça quem sou, eu mereço
Pelo menos um endereço. Deus, não me esqueça!

De repente, o vento abre uma janela,
Eu percebo uma cela, um menino está preso.
É estranho o que vejo, uma sacada amarela
Com uma única janela pintada de preto.


O pequeno filósofo

Eu adentro o recinto onde há teias de aranha.
Um senhor me acompanha e pergunta: “Que deseja”?
- Sou de terra estrangeira. Quem é a criança?
“Mantenha distância, antes que o pior aconteça.”

Por curiosidade, peço para com o preso conversar.
“Não vai dar.” Diz um outro que então, se aproxima.
Ele vinha de cima. Parecia mandar.
Volto a perguntar se ao preso eu poderia falar.

“Tens segurança e muita fé, senhor...”
- Sólio, eu sou. Pode continuar.
“Senhor Sólio, o que vais encontrar é dissabor.
Não existe quem sou, pois nada será.

Devo ter escutado demais, eis o que ele faz.
Vá em paz, suba, faça o favor.”
Subo à frente do senhor. Uma chave ele traz.
“Para trás.” Abre a porta, e diviso um cobertor.

“Fique a sós, estarei lá embaixo a aguardar.”
- Obrigado por deixar eu falar com o preso, senhor.
“Sólio, é cedo para falar de favor, deixe tudo acabar.”
Eu escuto o menino falar com brandura e pudor.

“O meu nome é Átheos, o pequeno filósofo.
O que posso então fazer para ajudar.
O que queres encontrar, senhor Sólio?
Ao pequeno filósofo pode perguntar.”

- Gostaria de saber o que faço aqui.
Acordei sem dormir, durmo sem acordar.
O que há, que acredito partir
Sem sair para nenhum lugar?

- Sou real ou apenas um ser fictício?
Num hospício devo me internar?
Eu queria poder encontrar algo que está perdido.
Mas como faço isso, se nem consigo lembrar.

“És substância orgânica, sensorial e intelectual.
Dessa forma és real. Mesmo sem vida, como matéria
Que é eterna, em outra forma, atual;
Serás tal como parte da terra.”

“Quanto às sensações através dos sentidos fisiológicos,
És no meio ecológico um animal perceptivo,
És finito. Mas, seu ser biológico
Continua o relógio ao infinito.”

“Quanto ao ser consciente, és único como idéia.
Porém, sua matéria divide-se infinitamente.
Não serás para sempre. No final, o que resta
É a terra, matéria de forma diferente.”

“Para seres real como intelecto, necessitas do corpo
E também desse corpo para seres real em sensibilidade.
Na verdade, a matéria é o próprio corpo;
De um ou outro ele não precisa para ser realidade.”

“A realidade física sendo matéria e/ou energia
É infinita. Enquanto a perceptiva e imaginativa
São finitas. É efêmera a tua vida
Que no corpo eterno habita, e é matéria mutativa.”

O pequeno filósofo manda-me descrever
Desde o meu nascer até o que me levou à sua cela.
Na certa, ele tinha muito a dizer
E seria um prazer me tirar das cegas.

- Nasci em uma pequena cidade brasileira
Sem fronteira com outro país.
Cresci feliz sob minha bandeira.
Gostava de brincadeira e finquei raiz.

- Era um garoto esperto, fui um rapaz sadio;
Desafio, talvez fosse o meu defeito.
Homem feito, responsável, inteligente e esguio.
Era um homem gentio e direito.

- De família humilde, tornei-me bem sucedido.
Era muito querido e extremamente religioso.
Deus para mim era bondoso, nunca fui ofendido.
Pelo amor fui vencido, um amor primoroso.

- Caso e viajo em lua-de-mel.
As estrelas, o céu, foi um belo cruzeiro.
Mas o navio inteiro vira um escarcéu.
Eu achei que era o réu. Hei que um anjo escudeiro

- Salva a minha amada que caíra ao mar.
Peço a Deus para ela voltar e ela volta.
Felizmente uma cota não tive que pagar.
Esqueci o lugar e a promessa exposta.

- Há um dia em que levo a família,
Todos que eu tanto queria, para o alto mar.
E no mesmo lugar o iate desaparecia
Levando minha alegria para o fundo do mar.

- Torno-me um dependente e perco tudo na vida.
Sem casa, sem comida e ninguém para olhar.
De tudo eu pude encontrar, menos saída.
De gente fidedigna pude eu escutar.

- Encontro com pessoas mortas, vozes do além
E também fotografias de fantasmas, conquistas pela fé,
Perdas pela falta de fé, demônios que matam alguém,
Espíritos do bem, luzes que ninguém sabe o que é.

- Pessoas que sofrem por que pecam,
Outras que se elevam do chão, andam sobre a água,
As curadas de doenças fatais, santos que se revelam,
Enigmas e mistérios, o sobrenatural, tudo e nada.

O pequeno filósofo volta a falar;
O seu olhar está distante.
E nesse instante tento escutar,
Ao me aproximar ele fala bastante.

“Seu nascer é realidade física quanto a constituição
De sua mão, de sua mãe, do seu médico, da sala.
Perceptiva quanto à provocada sensação,
Como uma contração, o tato do médico que apalpa.”

“É uma realidade imaginativa quanto aos pensamentos
Naquele momento, de todos presentes na sala.
A compreensão de cada um pelo que está acontecendo,
O conhecimento do médico e a fala.

“A pequena cidade é uma realidade física
Quanto as suas avenidas, habitantes e animais.
Quanto aos ais de sua gente sofrida,
Ela é imaginativa como as formas nos murais.”

“Seu crescimento é real físico nas alterações do corpo,
Do rosto, da massa muscular, dos ossos e é Perceptivo
Por ser sensível a influência hormonal em seu corpo.
Seu gosto preferido é real imaginativo.”

“Quanto ao seu casamento em relação ao casal
É real físico. Perceptivo nas sensações dos convidados.
Pelos sonhos realizados e quanto ao ritual
É real imaginativo como os santos adorados.”

“A viagem, o acidente, o salvamento
E o ressuscitamento são realidades Físicas,
Perceptivas e Imaginativas; pelo relacionamento
Com pensamento, sensações, matéria e energia.”




“Deus não existe para o cérebro funcional dos animais,
Confirma ainda mais que é real imaginativo.
Por não ser percebido como os demais,
São provas racionais que não é real perceptivo.”

“Tendo o conhecimento é real imaginativo,
Mesmo universal e objetivo em sua compreensão,
Como a lógica e a razão, busca compreender o físico
Consciente e intuitivo em permanente transformação.”

“Neurotransmissores, neurônios corticais
São reais físicos resultando o imaginativo
E o perceptivo em condições físicas e mentais
Ideais para não ser fictício.”

“Tudo é finito até o limite do que lhe contém.
Porém é infinito como o reflexo do espelho em outro.
Assim, o Todo é tudo que tem
Em pedaços que contém um ao outro.”

“Não há concepção do nada.
Pois cada estrutura material
Está entre o infinitesimal e a infinidade ampliada;
Escala que determina o Todo existencial.”

“Não há concepção do Todo, por ser infinito e eterno.
Não há o lado externo, pois sempre haverá um outro.
O Todo é infinito e disperso.
O acaso é decerto determinante do Todo.”

“Está em todas as partes, somente em parte.
A inteligência é arte de alguns poucos.
O Todo existe necessariamente, destarte,
Todas as partes estão no Todo.”

“As trevas como o vazio estão no Todo,
Posto toda coisa existente estar nele contido.
Em sentido crescente ou decrescente, o Todo
Tem modelo exposto, ao infinito.”

“Um evento sem determinante inteligente
Move desde sempre o que há no Todo.
O Todo não tem origem nem fim, é sempre,
Eternamente, um interminável poço.”

“Não se encontra isento de instabilidade e imperfeição
Que a imaginação possa conceber e/ou compreender.
O Todo, dessa forma, não pode ser fruto da razão
Que é limitada à visão que a restringe em poder.”

“Deus como um ser eterno, imaterial, onipotente
E soberanamente justo, que atende às necessidades
Da humanidade, não existe.Tendo qualidades de gente,
Deus se revela inteligente como o homem, na verdade.”

“O princípio vital no homem e nos animais
São descargas casuais entre células nervosas
Que são compostas de matéria. E quando as tais
não produzem mais descargas, estão mortas.”




“Portanto, se extingue a vida e a matéria inerte
Serve em decomposição pra formar novos organismos.
E desses organismos vivos, outro se serve.
A vida é breve em seus princípios.”

“Somos a concepção da idéia do que somos.
No útero começamos a formar o nosso eu,
Um indivíduo ateu que não tem planos.
Assim, nós nos formamos a crença em Deus.”

“Somos indivíduos extremamente complexos.
Atribuímos a nós um universo de idéias
E de percepção da matéria. Nossos gestos,
Nosso caráter, decerto, são idéias.”

“Não recebemos uma alma, a fazemos da matéria.
Essa transformada em energia,
A energia em impulsos gera idéia.
A idéia uma metáfora seria.”

“A dúvida e as opiniões são nossa idéia a tentar
Universalizar em um ser coletivo, a individualidade;
O que seria a realidade? Nosso lar,
A nos rodear como conceito da verdade.”

“Sendo assim, toda a sua realidade,
Na verdade, é em parte imaginativa.
Nessa vida, somos meras entidades
Que com identidade ainda vivem perdidas.”

O pequeno filósofo cala-se por alguns instantes.
Penetrantes, seus olhos me perscrutam;
Seus lábios executam palavras importantes,
Desinteressantes a ouvidos que não escutam.

“Senhor Sólio, eu conheço alguém que o ajudará.
Bastará procurar nesse endereço.
Vejo que procura a algo relembrar.
Lá encontrará resposta. Este é o meu conselho.”

Despeço-me do garoto com pesar,
Por ele estar preso sem nenhuma companhia.
Quem não estaria em meu lugar?
Ele sabia falar sobre o que sentia.

Por que o garoto está preso?
Assim que desço, pergunto ao que manda.
Ele se espanta como se fosse segredo.
Mesmo com medo, para o outro aponta.

Ficamos a sós para melhor conversar.
Ele começa a falar com pouca voz,
Até parece que nós estamos a arquitetar
Para matar o nosso próprio algoz.

“Senhor Sólio, esta cidade é obcecada
Em sua crença fanática, em sua adoração.
Se sua religião for afetada,
Será executada a teoria em ação.”


O Doutor

“O pequeno filósofo será morto de madrugada
Na praça, em meio à multidão.
Sua visão é como uma ameaça
A todo aquele que acha falha na religião.”

Sem mais delongas, despeço-me do senhor.
Na Rua do Pudor, procuro o camarada.
A casa que o garoto me falou.
Eis o Doutor, como o povo lhe chamava.

Apresento-me, sou convidado a sentar.
Começamos a falar sobre o garoto.
Pouco a pouco comecei a relaxar.
Não queria acreditar que era louco.

O camarada, como chamara o garoto,
Aproxima o rosto e me pergunta o que quero;
Que mistério me levava ao desgosto.
Em seu rosto, a resposta que espero.

- O que me deixa intrigado
É que sinto ao meu lado a presença de alguém.
E esse alguém tem tentado
Tornar algo lembrado que a mim convém.

-Porém, eu sinto também
Que esse alguém corre perigo.
O pior é que duvido, porque não vejo ninguém.
Será então do além, esse ser em espírito.

O camarada diz: “Faz sentido.
Sua mulher, um dos filhos, tem algo a dizer.
Para você, talvez seja um aviso.
Vamos tentar meu amigo, reverter.”

Eu sento em uma cadeira, confortavelmente.
A minha mente, eu deixo relaxada.
O camarada põe sua mão levemente
Sobre minha cabeça que pende hipnotizada.

Uma luz focalizada me orienta
Numa fenda que se alarga
À minha entrada para uma senda.
Eis que a fenda atrás de mim é fechada.

À minha frente, revejo minha esposa, meus filhos
E os amigos que tanto lhes ajudara.
Uma espécie de estrada entre pés de milho,
Eu me intrigo, parecem feitos de alguma malha.

Mas nada conseguiria me interpor.
Por amor eu venceria qualquer batalha.
Eu escuto uma voz calma: “Por favor,
O que vê, senhor, que lhe agrada”?

Eu respondo, com certeza, ao camarada.
“Insista com sua amada. Ouça o que digo.
Seus amigos, ou seus filhos. Esqueça a estrada.
Mantenha a calma, o senhor não corre perigo”.


Tomo VII

A regressão

Dito isso, o caminho se alarga.
Entre lágrimas, se encontram nossos espíritos.
Entre risos, regozija minha alma.
Vem a calma, nessa hora, silencio.

Eu já não entendo nada. O que está acontecendo?
Não pretendo a mais nada, só sossego.
Quem me deu o endereço? Compreendo!
Vocês estavam vendo; eu mereço.

“Quando Deus o condenou ao esquecimento,
Nós estávamos prevendo, nada podia ser feito.
O efeito dessa mágica é intenso.
Mas, em algum tempo, daremos um jeito.”

“Quando hipnotizado, poderá nos visitar.
Quando você acordar, nada mais será lembrado.
Cuidado! O Doutor pode escutar.
Ele pode te entregar ao Diabo.”

“Eis que esse camarada é ardiloso e prestativo.
O motivo é sua alma encomendada.
Não há nada a ser feito. Não duvido
Que ao Maldito, tenha sido anunciada

Tua presença entre as almas perdidas.
Perseguidas, temos de ter atenção.
A razão porque somos perseguidas
É conhecida por má reputação.”

“Essa é a única maneira de nos vermos.
Nesses termos, temos que ter mais cuidado,
Com o Diabo temos que nos precavermos.
Como enfermo, pode ser manipulado.”

“O Doutor é um camarada curioso.
Seu esforço é para nos descobrir.
Não se deixe iludir, seja genioso,
Vagaroso no que ele lhe pedir.”

“Sólio, venha outras vezes aqui.
O Doutor vai lhe argüi severamente.
Em sua mente, ele não pode submergir,
Se você não permitir; haja duramente.”

Novamente, a voz distante me indaga:
“ - Camarada, o que está acontecendo?”
Eu invento: - Não consigo ver mais nada
Na estrada, parece estar chovendo.

“Volte Sólio, vá. Não pode passar muito tempo aqui.
Pode partir, você ainda vai voltar.
Mesmo sem lembrar, o Doutor vai insistir.
Ele vai querer lhe ouvir falar.”

Volto através da fenda e acordo.
Não recordo o que me aconteceu.
O Doutor pareceu não medir esforços,
Sem remorsos, morada me ofereceu.

Eu acerto enfim, que alguns dias vou ficar,
Para desvendar o que me aconteceu.
Prometeu, o Doutor, me ajudar.
Vou lembrar realmente quem sou eu.

Vou à praça, assistir a execução
Do pequeno cidadão sacrificado.
Pois seu único pecado era a razão
Contra a religião de um povo fanático.

Eu consigo me aproximar da guilhotina.
Uma batina esvoaça em meu rosto.
Vejo no rosto que um sorriso ilumina,
Uma mente assassina, sem desgosto.

Peço perdão em nome do condenado.
Ninguém está ao meu lado. Ainda insisto.
O povo não dá ouvido, parece alucinado
Em ver sangue no coitado. Eu desisto.

Eu balanço a cabeça em desistência.
Paro com a insistência e vou embora.
Nessa hora, eu renasço em paciência.
Leio: Rua da Inocência. É agora.

Sua história começara na casa quatro.
Havia um velho telhado e janelas antigas.
Duas vigas sustentavam o sobrado.
Engraçado, o que ele me pedira.


O segredo

Antes de ser decapitado, fez um pedido:
Que escondido, fosse a esse endereço.
Não o esqueço, e agora vai ser cumprido.
Eu decido descobrir esse segredo.

Adentro a casa, sem receio.
Num espelho, uma velha se penteia.
Serpenteia pelo vento, seu cabelo,
Atingido em cheio pela luz que ali clareia.

Eu pergunto sobre o jovem em praça pública.
“Tendo culpa, sua pena é merecida.
Dizia que Deus era uma cova já sepulta.
Não há duvida da existência de Deus, ele sabia.”

“Sabia que Deus era malvado,
E o Diabo, um servo que o seguia.
Sabia que bondade, só humana. Culpado,
Por manter enganado, o povo que o ouvia.”

“Ele temia o que poderia acontecer
Se todos viessem saber toda a verdade.
Ele teve a oportunidade de conhecer
O poder de Deus e sua maldade.”

“Ele era um anjo celestial
Que tornou-se mortal para ter sentimentos.
Os seus pensamentos o tornaram real.
É leal aos seus sofrimentos.”

“Conseguiu escapar das entranhas do céu.
Um escarcéu, sua fuga causou.
Ele tudo arriscou, por ser fiel
Ao mel de uma boca que um dia provou”

“Eu era uma bela jovem na época.
Mesmo na terra, ele nunca envelhecera.
Padecera ao ver-me uma velha
A espera da morte que a espreita”

Saio dali, sem entender muito bem
Como alguém que é ateu
Já foi um anjo de Deus, disse amém,
E preferiu ser alguém desse mundo meu?

Eu consigo lembrar-me bem, do passado.
Mas algo está errado, sinto isso.
Existe algo escondido, é o que acho.
Caminho passo a passo, pensativo.

Numa rua espremida, um homem grita assustado:
“- É o Diabo que em seu corpo habita.”
Vejo uma moça aflita, com um velho excitado.
“-Fui curado, é um anjo, é a mão de Deus escrita.”

Nessa hora, olho acima da praça;
Uma graça, o jovem ao céu subia.
Ele via a multidão admirada.
Com suas asas, causava uma ventania.


A volta

Ele olhava para mim em meio a todos.
Então, ouço sua voz: “-Pode voltar.”
Eu começo a lembrar de tudo, aos poucos.
Eis que os outros não conseguem me notar.

“Vamos encontrar sua família e seus amigos,
Os perdidos, sei aonde encontrá-los.
Ao contrário do que me pediram,
Meu amigo, não vou entrega-lo.”

Não me diga que já foram Deus e o Diabo.
Eu estava condenado ao esquecimento.
Eu entendo! O Doutor foi o culpado,
Deve ter-me entregado ao Demo.

“Era parte do acordo enviá-lo ao Doutor.
Que horror! Eu traia um condenado.
Reconheço o meu pecado, por favor,
Por não me opor, peço pra ser perdoado.”

Não se preocupe Átheos, foi preciso,
Ante o risco de ser aprisionado
Por Deus ou pelo Diabo. Um bom motivo
Para um anjo indeciso e renegado.

“Vamos ao campo dos perdidos,
Um seguro esconderijo para os refugiados.
Somos livres, não escravos. Como os vivos,
Somos ativos e jamais robotizados.”

A entrada era um buraco-negro.
Um segredo a sete chaves guardado.
Nosso espírito era esmagado pelo peso.
Dava medo, a travessia do buraco.

Da extrema escuridão à luz intensa,
Sem ofensa, um embrião que ao mundo vem.
É também um nascimento, com a diferença:
Lá não existe ciência, nem subjetivismo também.

Lá não existe ninguém.
No além, não há ser vivo.
Só espíritos muito aquém
Do mal, do bem, de tudo isso.

Era um campo negro, o refúgio.
Um subterfúgio para aceitar a sorte.
A morte é como um estúdio
Onde tudo é imagem em corte.

Reencontro minha família novamente.
Lentamente, tudo ali se movimenta.
Pensa, cada um, de maneira diferente.
Porém, convergente para a resistência.

No refúgio, era o único arrebatado.
Por um anjo, levado a presença
Da inocência de cada condenado.
Tive o corpo poupado da sentença.

Na verdade, em moléculas livres, transformado.
Tal retalhos que fazem um tapete.
Talvez, fosse aquele, um estado
Para manter preservado meu deleite.

Em conjunto, um plano é esboçado:
Eu seria levado para a terra.
Pois na certa, me arrastaria o Diabo,
Para um céu badalado e de festa.

Novamente fui posto a viver.
Eu sentia doer meu pensamento.
Até mesmo o vento, pode crer,
Me fazia sofrer, a queimar-me por dentro.

O Diabo aparece nesse instante.
Eu, um desafiante, o enfrento.
Vendo o meu sofrimento, triunfante.
Nunca é o bastante, eu me rendo.

O meu corpo, eu vejo estendido.
No pescoço comprido, uma cicatriz enorme.
Vejo assim, minha morte. Surpreendido,
Não entendo o motivo, peço a mim que suporte.

O Diabo me arrasta para o céu.
O seu papel seria executado.
De sua vista, fui poupado, cobre-me um véu.
Lá sou um réu, apresentado.


O trono

Deus me permite ver seu trono.
Sente-se o dono do universo,
Um ser perverso, rei do engano.
Se gaba o quanto é esperto.